Vários são os testemunhos que tenho vindo a ouvir desde que se deu o atentado ao jornal satírico Charlie Hebdo. As opiniões dividem-se e nenhuma deve ser criticada em prol da liberdade de expressão. Mas posso dar a minha. E para mim, é um crime. Não há mais nada que se possa dizer, acrescentar ou filosofar sobre o que aconteceu naquela redação. Crime. E acabou. Duas pessoas entraram num edifício com o único propósito de matar. Palavra forte esta - matar. E não é em vão, tem a força do seu significado e na quarta-feira significou o fim de 12 vidas.

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Numa mente que nasceu e cresceu em democracia, tudo isto é irrisório, impensável e injustificável. Nada pode justificar o terror, o ódio extremo, a carnificina. E principalmente quando temos por base meros cartoons. Talvez fossem cartoons que dissessem demasiado. Talvez magoassem, talvez chocassem. Talvez tivessem uma força incomum, que assusta e descontrola. Mas, no final, eram e são meros cartoons. Não podem ser confrontados com armas, balas e sangue. Que mundo é este que mata porque não temos todos a mesma opinião? Claro que ninguém gosta que se lhe toque nas suas crenças, nas suas opiniões, nos seus ideais.

Claro que a raiva e o ódio são parte de nós e é com isso que reagimos quando os nossos ideais são atacados. Mas não podemos ser extremistas. Não podemos extrapolar e jogar um jogo sujo. Tão sujo como o que vimos agora em Paris. Não podemos combater com armas contra quem nos enfrentou com o pensamento, a imaginação e a criatividade.

Esses sim, são os verdadeiros lutadores, os verdadeiros guerreiros. É fácil usar uma arma para lutar contra quem luta contra nós, para lutar contra aquilo que não entendemos.

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Mas aqueles que todos os dias iam para a redação lutavam com a mente. Pensavam, refletiam, idealizavam formas de nos mostrar a sua opinião, de expressar os seus pensamentos e a sua liberdade. Aquelas pessoas morreram em combate. Num combate desigual em favor da liberdade de expressão, do pensamento inteligente e da genialidade. E é por isso que Charlie Hebdo será para sempre um ícone da liberdade. Por eles e por nós não podemos recuar agora. A liberdade, mais do que um direito, é um valor moral.

Je suis Charlie, aujourd'hui et toujours.