São as finanças e as dívidas da Grécia que têm preenchido a parte internacional dos noticiários e telejornais em Portugal: o que fazer perante este impasse? O ministro das finanças alemão, Wolfgang Schauble, disse esta sexta-feira que não se pode excluir a possibilidade de afastar a Grécia do Euro, se o país não der garantias adequadas aos seus credores de que pode pagar as suas dívidas.

"Na medida em que a Grécia é o único responsável pela possibilidade de decidir o que se passa e - como nós não sabemos exatamente o que as autoridades gregas estão a fazer - não podemos excluir a possibilidade", terá dito o ministro à televisão pública austríaca ORF.

Publicidade
Publicidade

Como é possível não haver mais solidariedade entre países que fazem parte do mesmo sistema? A Alemanha não se pode esquecer da ajuda prestada por toda a Europa no século passado em momentos distintos mas negros da sua história.

A Grécia atravessa momentos bastantes complicados e a reação do ministro das finanças germânico é virar as costas ou fazer ameaças. Os gregos respondem na mesma moeda e levantam o problema das reparações devidas da II Guerra Mundial.

Estas declarações não abonam muito a favor da coesão europeia que se tem pedido nos últimos tempos: a saída do euro por parte da Grécia pode ser uma "bomba atómica" na União Europeia.

Schauble e a Grécia: uma relação complicada
Schauble e a Grécia: uma relação complicada

As consequências de uma saída "forçada" da moeda única de um membro de pleno direito serão imprevisíveis e uma machadada (talvez mortal) na esperança de ter na União Europeia um competidor forte em termos económicos, políticos e sociais em relação aos Estados Unidos, por exemplo. Se já existem muitas dúvidas deste papel da União Europeia a nível global, a nível interno estas são muito maiores.

Ainda temos países como a Islândia, que não acreditam na União Europeia e no propósito para a qual foi criada.

Publicidade

Talvez se possa dizer que o fazem com razão, pois qual tem sido a sua influência decisiva nos destinos da Europa nos últimos tempos? Os seus órgãos executivos parecem ter sido relegados para segundo plano neste "conflito" entre a Alemanha e a Grécia.

Fala-se no excessivo poder de influência da Alemanha em Bruxelas e Estrasburgo; vai-se mais longe e temos casos em que se fala de subserviência. Estas não são alegações que caem do céu. Parece ser indiscutível que toda a estrutura alemã não tem qualquer interesse em ajudar a Grécia; atente-se à sociedade grega e aos dramas que são vividos todos os dias.

Pode dizer-se que a culpa recai na corrupção transversal a toda a Grécia. Então todos os gregos terão de pagar por aquilo que uma minoria fez? Levanto a questão da "accountability", mas esse seria um tema que daria uma dissertação.

As disparidades entre os países que compõem a zona euro aumentam a cada dia que passa: basta olhar para o nível salarial dos países do norte e centro da Europa e para os da zona sul, para não falar sobre o nível de vida dos países da zona dos Balcãs; assiste-se a uma divisão cada vez maior de uma Europa já dividida.

Publicidade

Repare-se no poder de decisão dos governos nacionais: as decisões são tomadas em Bruxelas por órgãos em que a esmagadora maioria dos europeus não votou. A maior questão prende-se com o caminho tomado pelos países da zona euro: ou caminham todos unidos ou poderão cair, um por um.

Leia tudo e assista ao vídeo