A modificação genética é o processo pelo qual se permutam genes entre duas espécies, que naturalmente nunca se cruzariam, e que necessitam de técnicas complexas de engenharia para o fazer. Assim se introduz, no código genético de um grão de milho, DNA de bactérias presentes no solo, que são portadoras de resistência a herbicidas, E. coli, etc., que em circunstâncias normais seriam prejudiciais para o cereal, deixando de o ser por via desta técnica.

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Da mesma forma se inserem, em tomates e morangos, genes provenientes de peixes, de forma a proteger os frutos dos problemas causados pelo congelamento. Sim, falámos em Engenharia - bem-vindo aos OGM.

Uma carta aberta para governantes de todos os países, assinada por mais de 800 cientistas de Universidades de prestígio Mundial, realçou a enorme preocupação existente acerca dos perigos dos OGM para a biodiversidade, segurança alimentar, saúde humana e animal e exigiu a suspensão do seu uso no Ambiente.

Cenouras parisienses de produção caseira
Cenouras parisienses de produção caseira

Porquê usar algo cujos efeitos nefastos praticamente desconhecemos? As sementes de organismos geneticamente modificados podem ser patenteadas como propriedade intelectual, o que permite aos OGM serem vendidos, controlados e legalmente protegidos pelas empresas que os detêm, garantindo a estas empresas um grande poder de controlo sobre a alimentação. Não surpreende que o enfoque esteja em modificar geneticamente o milho e a soja, uma vez que estes dois produtos são usados em mais de 90% dos alimentos processados para alimentação.

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Coincidentemente, a empresa que mais desenvolve OGM é, igualmente, a líder mundial na produção de herbicidas. Curioso? O lucro parece ser a principal razão pela qual o princípio da precaução está a ser completamente ignorado e as evidências desvalorizadas.

Como exemplo, e como se de um filme de ficção científica se tratasse, colónias inteiras de abelhas estão a desaparecer sem deixar nenhum rasto e os "corpos das vítimas" nunca são encontrados.

Infelizmente, não é ficção e está a acontecer a quase um milhão de colónias anualmente: enormes comunidades aparentemente saudáveis levantam voo e nunca mais regressam. Três novos estudos científicos sugerem que uma classe de pesticidas poderá estar por detrás deste desastre ambiental e referem que a plantação de organismos geneticamente modificados (resistentes a esses pesticidas) pode ser responsável pelo envenenamento das abelhas.

A gigante agro industrial Monsanto já reconheceu que o negócio dos OGM na Europa não tem boa aceitação pela população; no entanto, um porta-voz da empresa norte-americana referiu que Portugal e Espanha são as exceções europeias, onde a Monsanto diz beneficiar de um amplo apoio político e de um sistema de regulação mais favorável.

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Numa altura em que a Europa se está a afastar dos potenciais problemas trazidos pelos OGM, Portugal parece firmar uma posição discordante e contrariar o mais recente relatório das Nações Unidas sobre esta temática.

Tal como esta publicação sugere, os sistemas de alimentação e agricultura necessitam de transformações profundas de forma a poderem suportar as produções orgânicas em pequena escala, que aqui são apontadas como a "única forma de alimentar o Mundo".

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Portugal deverá afastar-se de políticas permeáveis a interesses particulares e optar por políticas públicas que assegurem um claro desenvolvimento de sistemas de produção e distribuição alimentar locais, assentes num equilíbrio entre agricultura convencional e biológica. Mas continua sem o fazer.

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