Se analisarmos os anos anteriores ao 25 de abril podemos confirmar, com propriedade correta, que a balança comercial portuguesa e o saldo corrente do país se encontravam excedentários. Bem, isto leva à pergunta que não quer calar: "porque motivo,a partir da implantação da democracia portuguesa, se vivem contínuos défices e períodos de recessão?".

A resposta à pergunta supra parece estar inscrita na dicotomia entre a "Esquerda" e a "Direita" políticas, nomeada e respetivamente entre o PS e o PSD.

Desde 1974 que a titularidade governativa em Portugal tem evidenciado fortes ligações a mundos "extra-políticos" (v.g. construção, imobiliário, banca, etc.), bem comoauma ramificação constante entre o PS e o PSD, tendo o PS governado por 16 anos e o PSD por 20, salva a criação do intitulado Bloco Central, coligação formada entre os dois partidos já citados que durou apenas 2 anos.

Isto permite ao leitor retirar a ilação de que são partidos que tiveram quase o mesmo período temporal de poder e que, se comparados, nenhuma diferença de pendor se assinala, muito pelo contrário, sendo cores políticas tão opostas - o PS fomentando apoios sociais, como é típico da Esquerda, e o PSD restringindo os mesmos, como é habitual nas políticas de Direita - seria de se esperar que diferenças significativas fossem encontradas, o que não é de todo o caso.

A verdade é que se tem insistido neste modelo governativo sem que nada de novo se anteveja ou se confirme, pois tanto as cores partidárias de PS como de PSD governaram e continuam a governar de forma quase idêntica, por objetivos a curto prazo e tendo em vista a satisfação daqueles que os elegeram, e não a satisfação de objetivos duradouros, isto é, a longo prazo, sustentáveis e que desenvolvam, de facto, o país.

Várias teorias já tentaram assumir a vanguarda da defesa desta dicotomia, sendo que é possível anuir que a que mais se enquadra no panorama de Portugal é a teoria apresentada pelo professor universitário norte-americano, William D. Nordhaus -a Teoria Oportunista. A título de apresentação,William Nordhausé um célebre economista nascido nos EUA que realizou, a par de Paul Samuelson, a consuetudinariamente conhecida por Bíblia da Economia, um livro que versa sobre os princípios económicos e serve de introdução ao estudo desta cátedra.

A Teoria Oportunista de Nordhausafirma que as administrações/os governos agem de acordo com os ciclos eleitorais e não em função de metas e objetivos a médio/longo prazo, propondomedidas e antecipando,muitas vezes, o seu incumprimento.Isto permite a interpretação deque a Teoria Oportunista oferece uma base ampliada para acolher uma explicação mais aproximada à realidade político-económica nacional.

Em jeito de conclusão, é notório que algo falta, sem defesa plausível de anos de ditadura e repressão, mas sem defesa também de uma democracia sem representação daquilo que são os verdadeiros interesses dos portugueses. Além disso, anível político, as clivagens ideológicas entre os partidos políticos que mais tempo estiveram na governação portuguesa são diminutas; a esse propósito adotou-se, em Portugal, a expressão“partidos do arco da governação”, para designar os partidos que normalmente formam os governos, individualmente ou em coligação, motivo pelo qual também não se faz sentir significativamente o peso da matriz ideológica dos partidos que assumem o poder.

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