Faltam poucos dias para a escolha do sucessor de Cavaco Silva na Presidência da República. Muitos ponderam não votar, descontentes com o sistema político e com a situação que atravessamos. Para ajudar à decisão, apresentamos 10 bons motivos para que os portugueses invistam 15 minutos e se desloquem à cabine de voto mais próxima, no próximo Domingo.

1 – Votar é um dos pouquíssimos actos em que o nosso relacionamento com o Estado não implica uma troca de dinheiro.

2 – Para alguns, o sistema que atribui o mesmo peso aos votos de todos os cidadãos é imperfeito. Neste caso, vale a premissa de que o sistema de voto, longe de ser uma modernice trazida pela democracia, é na verdade um sistema arcaico, inventado há mais de 200 anos. Enquanto não chega a hora de termos sistemas mais flexíveis, transparentes e capazes de prestar contas, este é o que temos.

3 – Alguns recusam-se a votar porque o sistema não presta ou porque “eles” são todos iguais.

Mas nestas eleições a diversidade entre os candidatos é tanta que há, de certeza, pelo menos um a quem os abstencionistas possam dar o seu voto.

4 – Outros recusam-se a votar desde 1974. Mesmo para esses, há seguramente um ou outro candidato que, pela sua excentricidade, os possa representar. Se ainda assim preferem não estar associados a este regime constitucional, tudo bem; para os que votam, isso é "na boa".

5 – O SL Benfica não joga no dia das eleições.

6 – Outros ainda não votam porque se arrependem do seu voto no passado. Para esses, vale onúmero 2. As pessoas acham que um sistema de votos implica que iríamos consecutivamente votar até encontrarmos uma candidatura-proposta-oferta divina e perfeita, que a partir desse dia reunisse o consenso geral de todos. Uma espécie de Luís Filipe Vieira ou Pinto da Costa, vencendo eleições atrás de eleições.

Mas não é assim que funciona. Os Estados Unidos da América votam há mais de 200 anos – e mesmo assim ainda surge um candidato como Donald Trump.

7 – Se não existe o candidato que queremos, mas existe algum candidato que realmente não queremos ver no cargo, podemos usar o voto contra ele. Basta aplicá-lo num dos outros 9.

8 – O voto para as Eleições Presidenciais é mais justo que o das legislativas.

Nestas, o voto de um residente no distrito de Leiria conta para eleger 10 deputados, enquanto o de um residente no de Lisboa conta para 47; naquelas, o voto tem o mesmo valor em ambos os distritos.

9 – O Presidente da República tem poderes bem definidos. Não governa, mas pode dissolver a Assembleia da República, como aconteceu em 2004. É um contrapeso para evitar uma concentração de poderes na figura do primeiro-ministro.

Logo, merece que se pense um pouco sobre o tipo de pessoa que lá queremos.

10 – Se ainda assim o leitor não souber em quem votar porque são todos iguais, há uma última questão: o seu clube de futebol. Imagine que a sua equipa vai jogar a final da Taça de Portugal, e que o leitor estará no Jamor para ver uma vitória ao vivo. Dos 10 candidatos à Presidência, qual será o melhor para entregar a Taça ao capitão da sua equipa?

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo