Quem tem filhos, principalmente na idade escolar, depara-se muitas vezes com esta dúvida: será que o meu filho é apenas desatento ou tem algum problema mais grave? A verdade é que poderá nunca ter uma resposta certa... Muitas Crianças têm falta de concentração porque não se empenham, e apresentam um comportamento indisciplinado resultante da educação dada pelos pais; outras esforçam-se imenso para conseguir ler um simples texto, ou para estarem sentados, sossegados, numa cadeira da sala de aula. Pode até ser uma característica da própria idade, de uma fase pela qual está a passar...

Mas quem o tem sente um verdadeiro handicap...

Pedir a uma pessoa com deficit de atenção que se concentre é o mesmo que pedir a um paralítico que corra, ou a um cego que veja, é-lhe impossível e está fora do seu controlo.

Portanto, pais, não se desesperem, nem desesperem os vossos filhos!

O mais importante, antes de tudo, é conseguir um diagnóstico com um profissional especializado, até porque este deficit pode também estar ligado a hiperactividade ou hipoactividade. Os pais percebem que os seus filhos têm capacidades, que demonstram até uma inteligência e raciocínio excelentes, mas não conseguem organizar essa informação e demonstrar o que sabem. Isso reflecte-se principalmente nos fracos resultados escolares.

Talvez fosse mais fácil detectar este problema precisamente na escola, pois é onde a atenção das crianças é mais requisitada, mas a sala de aula é um espaço de múltiplos acontecimentos em catadupa, e o professor nem sempre se consegue aperceber da situação.

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Muitas vezes também não a consegue distinguir de um mau comportamento.

Assim, a primeira pergunta a fazer é se a criança não consegue permanecer atenta por algum motivo particular, como problemas familiares ou por dormir poucas horas. Se essas questões forem afastadas, tentar perceber se essa incapacidade se limita a um assunto que a desinteressa ou se é a nível geral, se é só na escola ou se se aplica toda a área da sua vida, enfim, descartar os factores externos possíveis.

Se esses factores forem realmente eliminados, é aconselhável encarar o deficit de atenção como um problema físico e procurar a ajuda de quem for melhor qualificado para tal.

Muitos são ainda contra os medicamentos que parecem ser tomados sem uma completa certeza da doença. Um dos maiores especialistas do mundo em TDAH, o psicólogo Keith Conners, alertou para os ´falsos positivos’, pois, cito, ‘A desatenção é um sintoma universal, presente, em graus diferentes, em vários distúrbios psiquiátricos e até em pessoas saudáveis’.

Os efeitos colaterais da Ritalina (metilfenidato) podem ser insuportáveis: boca seca, perda de apetite, insónia, dores de cabeça, dores abdominais, tremores, arritmia, ansiedade, e por aí fora. Existem relatos de quem os tomou para conseguir bons resultados em exames difíceis e acabou por ficar com amnésia… Talvez o melhor seja mesmo prevenir e só partir para esta medicação se existirem certezas absolutas, pois nunca se sabe que ‘portas’ poderá abrir.

Mais seguro será experimentar mudar hábitos pouco saudáveis na alimentação, pois já dizia o filósofo Hipócrates: “que o seu remédio seja o seu alimento e que o seu alimento seja o seu remédio”. Todos os dias surgem resultados de estudos sobre certos alimentos que diminuem e controlam o deficit de atenção. O Ómega 3 é um dos elementos mais apontados, com resultados de 3 a 6 meses.

O aumento do consumo de alimentos ricos em ferro também já demonstrou reduzir consideravelmente os sintomas, pelo que deve estar sempre atento a estes níveis. As vitaminas do complexo B são também importantes, especialmente a B3, que aumenta a circulação sanguínea do cérebro, e a B12, que protege as terminações nervosas e não deixa piorar os sintomas. É importante ingerir muita vitamina C, pois previne algumas doenças que podem piorar o deficit de atenção, além de que é considerada anti-stress.

O pequeno-almoço é essencial. A regra básica é simples: mais proteínas, menos hidratos de carbono. Elimine cereais com açúcar e achocolatados; opte por ovos, peito de peru e frango; faça refeições com atum e salmão, que são ricos em ómega 3; reduza os hidratos de carbono simples, como farinhas brancas, e o glúten em geral; aumente os hidratos de carbono complexos através da ingestão, por exemplo, de fruta, como a maçã (que ajuda até na qualidade do sono), pera, kiwi e laranja; alimentos processados e corantes devem ser afastados. O espinafre é um dos alimentos mais completos, pois contém vitaminas do complexo B, vitamina C, ferro e proteína. O feijão também é aconselhado pelos especialistas, assim como os legumes de uma forma geral.

Já em relação ao leite, é importante verificar que não existem alergias, já que 30% das crianças são, de alguma forma, intolerantes. Pode ser prejudicial, pelo que deve ser retirado, ou reduzido substancialmente. Prefira os iogurtes. E, dado que o cérebro é composto por 80% de água, a criança deve beber cerca de 2 litros por dia; e não a trocar por sumos ou mesmo chás.

Cuidado com refeições feitas em panelas de alumínio e brinquedos com chumbo, que intoxicam o sistema nervoso e podem até estar na origem de demências. E nunca caia na armadilha "é melhor comer porcaria que não comer nada", pois o resultado poderá ser uma criança agitada e desatenta!