É, afinal, um pedido que ouvimos todo o ano... Mas, se nem a mãe, nem o pai, compram, pode ser que agora consigam enganar aquele velhote de barbas!

Quase todos os dias os nossos filhos veem os colegas da escola a passar horas naquele ‘brinquedo’ e também querem um. Bem, os colegas, e muitos pais... Sim, para eles trata-se de um brinquedo, com o qual têm acesso a músicas, vídeos, podem mandar mensagens aos amigos, jogar... É realmente muito versátil, apelativo, e toda a criança ‘fixe’ tem um!

Não existe, obviamente, uma resposta certa a este pedido, diria que depende da idade e se existe realmente necessidade de estar comunicável.

A verdade é que, no geral, nenhuma criança precisa de um #telemóvel.

Aliás pode até ser negativo em vários aspectos...

Comecemos pela escrita. Numa altura em que começam a escrever e que deviam aprender a construir frases, neste aparelho a escrita fica limitada a abreviaturas, que se desviam do vocabulário português e da correcta gramática.

As mensagens entre amigos, que muitas vezes acabaram de ver no intervalo, vem também distraí-los, pois enquanto anseiam pelas respostas, não estão atentos à aulas.

Existe também o risco das radiações, às quais as #Crianças são mais vulneráveis que os adultos. Embora ainda não estejam cientificamente reconhecidos os efeitos destes campos electromagnéticos, não podemos esquecer que a calote craniana das crianças é mais fina, pelo que as radiações atingem maior profundidade.

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Elas estão também sujeitas a uma exposição mais longa no decurso da sua vida, pelo que a OMS aconselha a limitar a duração das suas chamadas ou a usar auriculares.

Teremos também de pensar no tipo de telemóvel e no seu custo, tanto a nível do aparelho como dos tarifários, que, para algumas famílias, ainda poderá ter o seu peso no orçamento mensal. E, se pensarmos no acesso à #Internet, esse custo poderá aumentar. Aliás, este acesso não tem apenas o problema económico associado ao seu uso, mas também o perigo que poderá espreitar mais facilmente os nossos filhos.

É preciso termos a noção que estamos a abrir-lhes a porta para um mundo ‘virtual’ que poderá afastá-los deste mundo físico. Podemos estar a abrir a porta para o isolamento, para o fim dos serões em família e das conversas às refeições, para a comunicação que, muitas vezes, já é tão pouca... Isto para não falar de perigos maiores a que as crianças se expõem, publicando fotografias, partilhando a sua vida diária, sem saber quem poderá estar do ‘outro lado’.

Não é fácil dizermos que não. É como irmos no sentido contrário à multidão, no Metro, em hora de ponta!

Mas se realmente é assim que pensamos, é assim que devemos agir. Explicarmos aos nossos filhos o nosso ponto de vista pode até ser uma forma de nos conhecerem, de verem que nos preocupamos com eles, de perceberem que não fazemos as coisas ‘porque sim’, ‘porque eles querem’, ou porque os ‘outros pais fazem’.

Assim, e respondendo à pergunta inicial, talvez o mais certo seja mesmo só dar um telemóvel a uma criança se tivermos mesmo necessidade de comunicar com ela e não o conseguirmos fazer de outra forma. E, de preferência, que seja apenas um telemóvel, nada de Smarthphones com acessos à net!

Se pensarmos bem, não é à toa que, por exemplo, o Facebook exige uma idade mínima de 13 anos para criar uma conta. Nesta rede social pode mesmo ler-se: "O Facebook exige uma idade mínima de 13 anos para criar uma conta (em algumas jurisdições, este limite de idade poderá ser mais elevado). Criar uma conta com informações falsas constitui uma violação dos nossos termos. Isto inclui contas registadas em nome de alguém com menos de 13 anos. Se o teu filho menor criou uma conta no Facebook, podes mostrar-lhe como eliminar a sua conta. Se pretendes denunciar uma conta de alguém com menos de 13 anos, preenche este formulário. Tem em atenção que eliminaremos prontamente a conta de qualquer criança com menos de 13 anos de idade que nos seja denunciada através deste formulário."

Infelizmente, todos nós conhecemos crianças com muito menos de 13 anos que já têm a sua página no Face... Aliás, e bem, a Comissão Europeia alargou esta proibição até aos 16 anos.

Se não necessita que o seu filho esteja comunicável, se ele está numa escola para onde é fácil falar, e habitualmente em casa de membros da família, então diga-lhe que o Pai Natal preferiu trazer-lhe um grande livro, uma bicicleta, ou um par de patins!

E vá adiando o mais possível...

Se os nossos filhos são já adolescentes - e não acreditam no Pai Natal! – poderemos considerar essa oferta, mas não sem estabelecer algumas regras.

A segurança dele deve ser o mais importante, por isso devemos alertar para pedidos de amizade de estranhos no Facebook, as fotos que publica, a sua localização. Fazer com que tenha consciência que tudo o que publica não ‘desaparece’ e pode ser usado por pessoas com más intenções.

Devemos também estabelecer as horas de utilização para que, mais uma vez, não se isole num mundo só dele, e deixe outras coisas – até mais importantes! – de lado, como o convívio com a família e os estudos.

Ah!, e não nos devemos esquecer: se lhe permitimos o acesso à net é porque confiamos nele, portanto temos de respeitar a sua privacidade. No Programa Internet Segura, uma das regras mais importantes é a confiança mútua, ou seja, será muito mais seguro que o nosso filho ou filha confie em nós e partilhe os seus problemas connosco, do que andar a ‘espiá-lo’ e a controlar-lhe a password!

Por fim, sejamos nós a dar o exemplo. As nossas crianças copiam os nossos gestos, não as nossas palavras. Por isso, se não queremos vê-los ‘viciados’, não o devemos ser também. O tempo que passamos com eles deve ser de qualidade e a eles dedicado, totalmente, sem distracções.

Se já ouviu: ‘Gostas mais do telemóvel do que de mim!’ isso não é bom sinal!