Rui Pinto é um militar da Guarda Nacional Republicana (GNR), com 39 anos, casado e com dois filhos menores, que foi agora notificado pelo tribunal para pagar 6.000 euros de custas judiciais até ao próximo dia 12 de janeiro, relativas a um processo em que se encontrou envolvido em 2012. A própria Associação de Profissionais da Guarda (APG) da GNR já tem em curso uma campanha solidária para auxiliar esse militar a pagar essa quantia dentro do prazo estipulado, conforme informa o Jornal de Noticias numa das edições informativas dos últimos dias.

Devido à quantia ser tão elevada, será impossível ao militar da GNR pagar a mesma sozinho.

Também na rede social Facebook já foi criada uma página de apoio a esse militar, que visa partilhar e divulgar o caso, para tentar assim que o maior número de pessoas possa ajudar. A página denomina-se : "Apoio ao militar da GNR Rui Pinto".

Todas as pessoas que eventualmente possam ou desejem ajudar este militar, poderão fazer os seus contributos para o seguinte IBAN: PT50 0035 0743 00006593300 88, conta em nome do próprio militar.

Perseguição policial em 2012 acabou com morte de um dos fugitivos

Tudo aconteceu na manhã do dia 9 de Julho de 2012, quando o militar Rui Pinto e mais dois colegas do posto de Fânzeres se encontravam a patrulhar a zona, na Rua dos Malmequeres, em S. Pedro da Cova, e se aperceberam que no local estava estacionado um Renault Megane, com três indivíduos. Os militares acharam estranho e consideraram suspeito e, na verdade, as três pessoas dentro do veículo estavam mesmo a consumir estupefacientes (haxixe).

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Quando os guardas os tentaram abordar, o condutor da viatura fugiu a grande velocidade e um dos militares apercebeu-se de algo metálico no veículo, que inicialmente foi identificado como uma caçadeira mas que posteriormente foi descoberto que se tratava de um bastão. Entretanto, a GNR iniciou também logo ali uma perseguição policial aos três homens.

Os fugitivos eram Pedro Rodrigues (Pelé), o condutor com 26 anos de idade, Hugo Magalhães (Teco), de 20 anos, que ia no lugar do pendura, e José Ferreira (Crespo), com 21 anos, que seguia no banco traseiro.

Durante a perseguição policial, o militar Rui Pinto, que seguia ao lado do condutor do jipe da GNR, tentou dissuadir os fugitivos através de sinais sonoros e luminosos, e com dois disparos para o ar, mas sem sucesso. Posteriormente a tudo isso, disparou duas vezes para os pneus da viatura para tentar forçar a paragem da viatura em fuga quando a mesma ia contra um peão e uma ambulância.

Mas foi ao quinto disparo que o projéctil perfurou a chapa da viatura e foi atingir de forma acidental um dos fugitivos nas costas, o que ia sentado no banco traseiro, e que acabou por perder a vida.

Sentença do Tribunal de Fânzeres em Gondomar para Rui Pinto

Foi somente em 2015 que o tribunal de Fânzeres - Gondomar decretou a sentença. O militar da GNR Rui Pinto foi condenado na forma de culpa menos grave que a lei prevê.

O tribunal admitiu que o guarda teve necessidade e legitimidade para travar o veículo em fuga durante sete quilómetros, pois o mesmo fugiu a uma abordagem da GNR, o que colocou em perigo várias pessoas. Considerou, no entanto, que o quinto tiro não deveria ter sido disparado, pois foi o que acabou por fazer perder a vida de um dos ocupantes da viatura em fuga.

As condenações dos fugitivos e a indemnização dos pais da vitima

Relativamente à pena aplicada ao condutor do Renault Mégane, que conduzia na altura sem carta, foi condenado a 15 meses de cadeia, com pena suspensa, por condução ilegal e perigosa. Quanto aos pais da vitima mortal, receberam uma indemnização do Estado no valor de 110.000 euros.

Mais uma vez, a forma de actuação e o recurso às armas de fogo pelos militares da GNR foi colocado em causa. #Solidariedade #"GNR #causas sociais