Michael Pinto tinha 37 anos de idade, era agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) desde 2003 e encontrava-se atualmente a prestar serviço no Modelo Integrado de Policiamento de Proximidade, da 9.ª esquadra, localizada na freguesia de São Nicolau, Porto. Michael colocou termo à própria vida nesta quarta-feira (7 de Fevereiro) na sua casa, usando para o efeito a sua arma de serviço. As causas que o levaram a cometer tal acto são desconhecidas.

Familiares, amigos e colegas foram todos apanhados de surpresa, uma vez que aparentemente a vida do jovem agente da PSP corria sem problemas. Era casado há nove anos e deixa dois filhos menores (gémeos).

Este é o primeiro caso de suicídio nas forças de segurança este ano (2018).

Mesmo depois de tantos profissionais destas forças já terem cometido o suicídio, nada de concreto foi feito. No corrente ano de 2018 este é o primeiro caso de suicídio a surgir no seio dos polícias. Mais uma vez fica confirmado que os agentes da PSP, e todos os restantes elementos das forças de segurança, antes de serem agentes de autoridade, são seres humanos. Seres humanos que como todos nós, têm sentimentos, têm medos, vivenciam receios, enfrentam problemas e crises pessoais. Crises pessoais que quando não detectadas a tempo, progridem rapidamente para depressões profundas, e agravam-se de tal forma que por vezes culminam mesmo no suicídio.

E os profissionais da polícia são exímios em esconder as próprias emoções, muito em consequência da própria profissão, onde necessitam de ser mais racionais que emotivos, para que não permitam que as emoções os tornem mais vulneráveis e frágeis nos momentos de maior stress e de decisões, que muitas vezes podem mesmo colocar as vidas deles em risco!

Quando os profissionais da polícia se apercebem que algo vai mal com eles, tentam resolver sem ajuda, acreditam mesmo que conseguem! Mas chegam a um determinado patamar que descobrem que afinal precisam de ajuda, mas muitas vezes receiam pedir auxílio.

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Receiam que um pedido de ajuda os possa tornar frágeis e vulneráveis, temem ainda que os possam considerar incapazes, que um psicólogo/psiquiatra possa temporariamente considerá-los inaptos para exercerem o seu dever e ainda lhes retirarem a arma de serviço, algo que para eles, é como lhes retirar toda a capacidade de serem polícias, e acabam por os fazer sentir ainda muito pior e mais deprimidos. Se por um lado retirarem-lhes a arma pode ser uma forma de os proteger, por outro, fá-los sentirem-se incapazes e frustrados, deixando-os ainda piores e em maior perigo.

Não é apenas com grupos de estudos que a PSP ou a Guarda Nacional Republicana (GNR) conseguem minimizar ou acabar com estas tragédias que continuam a assolar as forças de segurança. Para minimizarem o risco do suicídio nas forças de segurança precisavam de muito pouco, bastava que os colocassem perto da terra natal deles para ficarem perto dos familiares e amigos, que tivessem um vencimento de acordo com a perigosidade da missão deles, que lhes dessem boas condições de trabalho e que melhorassem os recursos humanos.

Apenas isso melhoraria em pouco tempo a qualidade de vida deles, o que lhes daria ânimo e vontade de trabalhar e sobretudo de viver.

A Direcção Nacional da PSP e o Comando Geral da GNR que zelem pelo interesse dos homens e das mulheres que têm nas suas fileiras, que defendam os direitos deles, que os defendam quando necessário, que tenham orgulho neles, pois eles tudo fazem para honrar e dignificar as instituições policiais que representam.

Todos eles têm como missão proteger e defender pessoas e bens, mesmo que com sacrifício da própria vida... mas a vida deles, quem a protege e defende afinal?

Eles não são máquinas, antes de serem agentes da PSP e militares da GNR são apenas homens e mulheres, que um dia resolveram abraçar a missão de serem polícias. Missão sim, porque serem polícias é muito mais que uma profissão, é uma missão.