Teremos em Maio um 'Jardim' a florir? Um dos sites mais influentes da Eurovisão, o WiwiBloggs, está a colocar a canção portuguesa no segundo lugar, logo atrás da italiana e seguida pela da Ucrânia.

Confesso que esta noticia me surpreendeu...

Não sou nenhuma expert em música, apesar de já ter escrito algumas letras, mas o pouco que ouvi do nosso Festival tinha-me deixado assim como que... a dormir. Acho que até comentei que naquela noite ninguém precisara de tomar valdispert, passo a publicidade... Pareceu-me demasiado melancólico, triste, recorrente, como que 'vamos repetir a fórmula Sobralista'.

Está na moda e Portugal segue as modas.

E quando não segue, faz a moda e ganha...

Agora é quase uma ´pescadinha de rabo na boca': fizemos a moda e queremos segui-la. Seja a que custo for.

Confesso também que já não sou a espectadora assídua que era. Lembro-me que quando era pequena o país parava para ver o festival da canção... também não tínhamos muita alternativa, pois não?... Mas a verdade é que reunia a família frente ao televisor, ainda este a preto e branco.

Começámos em 1964 com a 'Oração' de António Calvário (reza que só fez efeito quando o Salvador garantiu sentidamente 'Amar pelos Dois').

Tivemos caras e vozes carismáticas a apresentá-lo, como Henrique Mendes, Lourdes Norberto, Carlos Cruz, Herman José, até o Artur Agostinho, Nicolau Breyner, entre outros, que aproveito para homenagear.

Tivemos até a Simone de Oliveira com a 'Desfolhada', considerada na Europa uma 'vencedora moral' que se o país fosse outro, não seria apenas 'moral'...

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Portugal fez blackout em 1970, como forma de protesto.

Já tivemos também a nossa história política cantada por Fernando Tordo em ritmos de 'Tourada' ou em melodias inesquecíveis como 'Depois do Adeus'.

Quero eu dizer, o Festival da Canção tinha 'pompa e circunstância', os melhores apresentadores, os melhores cantores, os melhores letristas.

Evoluímos? Ok. Mas esta letra, desculpem os entendidos, não diz absolutamente nada...

Ficámos a saber que a canção, composta por Isaura, recorda a sua avó que já faleceu... Ok.

Ainda bem que nos esclareceram, pois talvez assim se consiga 'ver' alguma mensagem nisto...

As criticas são as melhores: que tem um instrumental electrónico muito bom, que tem qualidade para chegar longe, tem até uma 'combustão lenta' (seja lá o que isso signifique), que o 'estilo' está na iminência da interpretação falhar mas isso nunca acontecer, que é simples mas actual...

Ou seja, parece que ganhou mesmo 'a melhor'.

Diogo Piçarra, com a sua 'Canção do Fim', que se calhar não era 'sua', não podia vencer, era uma 'melodia pobre e banal'...

Nem sequer conseguiu 'plagiar' qualquer coisa melhorzita...

O Fado, o tão nosso fado, interpretado por Peu Madureira, com a facilidade da sua música, não conquistou 'Só por ela' a simpatia do júri.

O convidado de Salvador Sobral foi despretensioso com a sua guitarra. A simplicidade foi ao ponto de comer uma banana enquanto estava a ser entrevistado...

Ok, 'simples', mas não estamos na nossa casinha, pois não?!

Catarina Miranda, tal qual boneca de trapos, não precisava de nada para sorrir...Ou se calhar precisava... Precisava de ganhar.

Enfim, por aí fora.

Restou-nos uma espécie de trip-hop... Valha-nos então a interpretação de Cláudia que ainda consegue transmitir algum sentimento a uma letra que não o tem.

Mas, perguntava eu, teremos um 'Jardim' florido em Maio?

Falam já as más línguas, que muitas vezes falam verdade, que este tema é ainda maior plágio que a 'Canção do fim', com grandes semelhanças com 'To Build a Home', dos Cinematic Orchestra.

Mas este Festival é alguma banda de tributo??

Por isso, o nosso jardim pode ainda ficar despido antes do outono, leia-se Eurovisão. Isto se o ESC Reference Group, que tem o poder de vetar candidaturas com acusação de plágio, o faça com a nossa canção.

Afinal, não se trata apenas de 'musiquinhas', trata-se da existência ou não de algo que é considerado crime, de roubar a criatividade de uns e defraudar a esperança de outros.

Aguardamos para ver...