Na Guarda Nacional Republicana (GNR) e Polícia de Segurança Pública (PSP) existem vários profissionais dignos de serem agraciados e recordados. Quer seja pelos seus feitos, pelas suas mortes em serviço, pelo seu excelente profissionalismo ou até mesmo pelas adversidades que enfrentaram na vida mas que não os derrubaram. São profissionais que marcaram e ficaram na história da GNR e da PSP. E é desses homens que os próximos artigos falarão. E para começarmos, nada melhor que falarmos de hugo ernano.

A perseguição policial e a morte acidental de um rapaz de 13 anos

Tudo aconteceu quando Hugo Ernano, militar da GNR, em agosto de 2008, durante uma perseguição policial, ao tentar imobilizar uma viatura com disparos para os pneus, acabou por atingir um rapaz de 13 anos que seguia no interior da viatura em fuga e que acabou por perder a vida.

Mas os disparos para os pneus, aconteceram em último recurso. Durante a perseguição policial foram feitas várias tentativas para fazer parar os fugitivos, mas todas foram em vão, pois não foram respeitadas as ordens verbais para pararem, e nem se assustaram ou atemorizaram com os dois tiros de advertência para o ar e prosseguiram a sua fuga.

Quando Hugo Ernano se apercebeu que a viatura a alta velocidade não parava e ia passar num local onde se encontravam várias pessoas no adro de uma igreja que poderiam ser atropeladas, resolveu parar a viatura disparando para os pneus.

O rapaz que acabou por falecer tinha sido levado pelo próprio pai para um assalto numa vacaria de Santo António do Tojal, em Loures.

Como começou a perseguição policial

Hugo Ernano também foi alvo de uma tentativa de atropelamento por parte do condutor da viatura em fuga, e valeram-lhe os seus bons reflexos para evitar o pior e sair da situação apenas com algumas escoriações.

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E foi após essa tentativa de atropelamento do militar da GNR após não acatar a ordem de paragem dada pelo mesmo, e pela tentativa de assalto que tinha efectuado pouco tempo atrás, que o condutor se colocou em fuga e deu inicio à perseguição policial.

Condutor esse que, mais tarde se veio a saber, era um evadido do estabelecimento prisional de Alcoentre, onde estava a cumprir pena por agressões violentas a idosos. Além disso, ainda se fez passar por outra pessoa em tribunal para continuar em liberdade.

As adversidades que Hugo Ernano teve que enfrentar

Mas posteriormente a essa data, a vida de Hugo Ernano virou um pesadelo. Foi obrigado a enfrentar as barras do tribunal, a enfrentar as sentenças judiciais e as da própria instituição que ele representa, a enfrentar a maior pena dada a elementos das Forças de Segurança em Portugal, e por fim teve mesmo que enfrentar os 240 dias de suspensão de funções com corte de dois terços do vencimento decretados pelo Ministério da Administração Interna (MAI).

Muito embora a Inspecção Geral da Administraçao Interna (IGAI), na altura, estivesse mesmo a ponderar a expulsão do militar da GNR, Anabela Rodrigues, a então ministra do MAI optou pela decisão da dita suspensão de funções por 240 dias com corte de dois terços do vencimento. Convém ainda recordar, que ele foi alvo até de uma ameaça de morte.

Mas afinal, quem é Hugo Ernano

Hugo Ernano, é um homem que realizou o seu sonho de sempre: ser um agente de autoridade. Tornou-se um militar da Guarda Nacional Republicana (GNR) de profissão e até Agosto de 2008 teve uma vida aparentemente tranquila e sem sobressaltos. Actualmente, quase 10 anos depois de tudo ter acontecido, continua a prestar serviço no Grupo de Intervenção e Ordem Pública (GIOP) da GNR e a fazer o que mais gosta: ser GNR. No cumprimento do dever já foi agredido, mas mesmo assim continua a não virar costas à luta contra o crime.

Foi um homem que a justiça condenou, mas que os cidadãos portugueses apoiaram e ajudaram, tendo provado que ele nunca esteve sozinho nesta luta.