Foi ao fim da tarde do dia 4 de Fevereiro de 2002 que a Polícia de Segurança Pública (PSP) viu mais um dos seus agentes ser barbaramente assassinado durante o cumprimento do dever. O agente da PSP assassinado chamava-se Felisberto Silva. Era um jovem com 25 anos, de raça negra, criado num bairro polémico e de risco elevado, mas que decidiu seguir a ordem e a lei, e ser polícia para se tornar um defensor e protector dos cidadãos. Tornou-se num agente da PSP na Damaia. O destino quis, no entanto, que ele morresse nesse mesmo bairro, onde tinha crescido e vivido toda a sua vida.

Tudo aconteceu na Damaia, mais especificamente na Avenida D.João V, durante um acidente de viação.

Um embate com três automóveis chamou a atenção do polícia, que prontamente acorreu ao local para tomar conta da ocorrência e tentar resolver o sinistro E quando o agente tentou deter um homem envolvido nesse mesmo acidente, foi baleado mortalmente com seis tiros, à frente de várias pessoas que testemunharam o assassinato.

O atirador e outro homem que se encontrava com ele conseguiram fugir na altura, mas foram pouco tempo depois identificados pela Polícia Judiciária (PJ).

Felisberto Silva encontrava-se nesse dia sozinho a fazer um patrulhamento numa zona considerada de risco, sem apoio de qualquer outro colega. Severiano Teixeira, o ministro da Administração Interna na altura dos factos, não conseguiu explicar a razão do agente estar a patrulhar sozinho e nem os motivos de uma morte tão violenta.

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O homicida, somente dois meses depois foi localizado e detido. Acabou por ser julgado na comarca da Cidade da Praia, em Cabo Verde, foi provado que agiu com dolo e foi condenado a 16 anos de prisão efectiva.

A Igreja da Buraca e o cemitério da Amadora onde Felisberto Silva foi sepultado tornaram-se demasiados pequenos para tanta gente. Aproximadamente três mil pessoas estiveram presentes nas cerimónias fúnebres e no último adeus ao agente. Não foram apenas elementos da PSP a estar presentes, também outras forças de segurança fizeram questão de prestar uma última homenagem a mais um colega morto no cumprimento do dever.

Estiveram presentes a GNR, a Polícia Municipal e os Bombeiros da Amadora, bem como agentes das Brigadas de Minas e Armadilhas e do Grupo de Operações Especiais da PSP.

Nos rostos dos polícias era evidente a dor, a tristeza e a raiva que sentiam por perderem um colega e um amigo daquela forma. Todos eles, naquele dia, também morreram um pouco e todos foram para casa com o coração apertado e a pensar que o próximo poderá ser um deles.

Felisberto Silva foi mais um agente da PSP que deu a vida em nome da segurança pública.