Se formos perguntar, as opiniões dividem-se, e são radicais:

O ovo faz mal porque tem muito colesterol’

‘O ovo não tem colesterol, só se o fritar com muita gordura’

Hum... talvez não seja bem assim.

Fui pesquisar...

Durante muito tempo o ovo foi considerado uma ameaça para a saúde.

O elevado teor de colesterol da sua gema associava-o ao perigo de desenvolvermos doenças arteriais coronárias e outros problemas cardíacos e vasculares. Porque quando se fala em ‘colesterol’ pensa-se de imediato em algo nocivo, mas não é necessariamente assim.

O que revelaram os estudos?

O ovo tem ‘gordura’. Um ovo contém 186 a 212 mg de colesterol (as informações variam), o que é bastante.

No entanto, tem sido demonstrado que não afecta negativamente os níveis de colesterol no sangue.

Pelo contrário: O ovo contém lecitina, uma substância que dificulta a absorção do ‘mau colesterol’ no intestino. E aumenta sim, mas o HDL, o chamado ‘bom colesterol’. Aliás, pesquisas já associaram este alimento à prevenção de doenças cardiovasculares, dos ossos e do sistema nervoso.

E se o problema for o aumento de peso?

Estudos apontam que, até nesse campo, os ovos não devem ser vistos como inimigos. Num trabalho realizado nos EU, pelo Departamento de Obesidade do Centro de Pesquisa Biomédica, em que um grupo de pessoas alterou o pequeno almoço de pão para 2 ovos, veio a verificar-se: que estas emagreceram mais 65%, do que as que comeram os farináceos. A redução da cintura também foi maior em 34%.

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Os dois tipos de pequeno-almoço continham as mesmas calorias. Como foi possível?

Como contêm proteínas de alto valor biológico, fornecem saciedade e diminuem a fome. Mais, têm albumina, que se sabe auxiliar no ganho de massa magra e muscular.

E relativamente a problemas de fígado?

Parece que também neste caso devemos ‘absolver’ o ovo da má reputação. Não existem provas concretas que o consumo de ovos esteja relacionado com problemas no fígado. Segundo alguns estudos, poderá até ser benéfico para este orgão, dado que tem elevadas quantidades de colina. Este nutriente, outrora desprezado, é agora considerado essencial para o bom funcionamento do fígado, inclusive na prevenção de certas doenças que o atacam, como o cancro.

Ah, e não despreze a gema em relação à clara. É precisamente na gema que está a parte mais nutritiva deste alimento.

Os estudos revelaram ainda que os ovos:

- Melhoram a saúde dos olhos – Como são particularmente ricos em dois antioxidantes, luteína e zeaxantina, protegem contra doenças oculares, como as cataratas e a degeneração ocular.

- Aumentam as defesas do organismo – O ovo contém proteínas de alta qualidade, os 9 aminoácidos essenciais, é rico em ferro, selénio, vitaminas A, B12, B2, B5, e fósforo - Previne o envelhecimento – Porque é rico em zinco, selénio, vitamina A e E.

- Ajudam o cérebro e previnem o cancro da mama – Contém colina, um nutriente muito importante para estes orgãos.

- Mantêm a saúde dos ossos – Porque contém cálcio e fósforo.

Se dermos preferência a ovos orgânicos, os benefícios serão ainda maiores. Há nutricionistas que defendem ser o melhor pequeno-almoço até para as crianças, em vez de um prato de cereais, cheio de açúcar.

Não encontrei consenso na quantidade de ovos permitida por dia. Há estudos que afirmam que consumir 2 a 4 peças por dia faz bem à saúde, mas que pessoas com diabetes não devem passar de 1 ovo por dia. Como tudo, e embora seja saudável, manter o bom senso e não cometer excessos, será sempre o ideal em tudo o que ingerimos.

Está com fome?

Faça um ovinho. Além de todos estes atributos, é uma refeição completa, versátil, rápida e barata.

Pode fazê-lo cozido, mexido, em omelete.

Bom apetite!