Foi na madrugada desta quinta-feira (10 maio) que mais uma agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) colocou termo à própria vida, usando para o efeito a arma de serviço. A agente que se suicidou tinha 52 anos, era viúva, sem filhos e actualmente prestava serviço na 34.ª esquadra, em Lisboa. Foi no quilómetro 25, na A8, que a agente da PSP disparou a arma contra si, atingindo o lado esquerdo do próprio peito. Disparo que acabou por provocar a sua morte. Segundo informação avançada pelo “Notícias ao Minuto” numa das suas últimas edições informativas, a agente terá metido uma baixa no serviço pelas 19 horas da última quarta-feira (9 de maio).

Peixoto Rodrigues, o presidente do Sindicato Unificado da Polícia de Segurança Pública (SUP), afirmou já que não acreditava no gabinete de Psicologia da Polícia e que deveria ser feito algo mais para diminuir ou mesmo acabar com os suicídios nas Forças de Segurança. Referiu ainda que não existe nenhuma independência do gabinete de psicologia perante a própria hierarquia.

Toda a família policial encontra-se chocada e consternada com o suicídio de mais uma agente da PSP. A todos os profissionais da PSP foi reforçado o apelo para que peçam apoio psicológico sempre que necessitarem.

Os suicídios nas Forças de Segurança, sucedem-se em catadupa e não se vislumbra nenhuma luz ao fundo do túnel e muito menos medidas que visem a diminuição ou o fim dos mesmos.

Quantos mais policias terão que morrer, para que realmente algo seja feito?

Problemas pessoais todos temos, mas nem todos lidamos da mesma forma com eles.

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E os polícias tem uma agravante, eles lidam diariamente com uma enorme pressão, com alto stress que por vezes os deixa no limiar das suas forças. Além de todos os dias lidarem com assaltantes, raptores, agressores, homicidas, entre outros. Vivem lado a lado com o perigo, os riscos que correm são vários, e a segurança e a própria vida fica muitas vezes ameaçada e em risco.

Por tudo isso, desenvolveram uma capacidade extraordinária de esconderem as suas próprias emoções, para evitarem mostrar as suas fragilidades e vulnerabilidades. O que muitas vezes leva a que potenciais situações de depressões nos polícias consigam ser perfeitamente dissimuladas pelos próprios. E quando não tratadas a tempo, podem levar fatalmente ao suicídio. E as armas de serviço, que deveriam servir sempre para lhes proteger a vida, acabam por, em momentos de desespero, servirem para eles se suicidarem.

Tal como Augusto Cury terá um dia dito, e muito bem, todo o suicida não pretende matar-se, mas sim matar a sua dor.