As doenças cardiovasculares são bastante relevantes para a forma como o médico dentista e paciente se irão comportar durante o tratamento dentário e por isso requer especial importância no momento da primeira consulta. Um médico dentista não se restringe a tratar apenas a cavidade oral. Todo o organismo humano está interligado por mecanismos de regulação que, bastando estar um alterado, todo o resto pode apresentar-se comprometido.

A magnitude da relação entre doenças cardiovasculares e a prática da medicina dentária pode ser maior do que se espera

Doenças cardiovasculares mais relevantes para a medicina dentária

De entre várias doenças cardiovasculares, as malformações de desenvolvimento e congénitas do coração, doença vascular oclusiva aterosclerótica tromboembólica, doenças cardíacas adquiridas infecciosas e inflamatórias (doença reumática do coração e endocardite bacteriana) e insuficiência cardíaca congestiva são as mais relevantes para a prática clínica do médico dentista.

Os pacientes que apresentem alguma destas doenças não devem deixar de o mencionar ao médico, para poderem avaliar em conjunto as possibilidades de realização do tratamento dentário.

A especificidade do coração

O coração é um órgão muscular considerado como um órgão de dupla bomba, o lado direito e o esquerdo. Cada lado/bomba apresenta duas câmaras, a superior e a inferior. Entre cada uma dessas câmaras existem as válvulas.

A câmara/aurículo direito recebe sangue originário dos grandes vasos sanguíneos do fígado e circulação sistémica, enquanto o aurículo esquerdo recebe sangue rico em oxigénio vindo dos pulmões. Os dois ventrículos contraem-se num único movimento bombeando o sangue para a circulação, não havendo retorno devido ao poder das válvulas.

Quando os ventrículos estão em repouso os aurículos estão a bombear o sangue, a esta fase dá-se o nome de diástole.

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Quando os aurículos estão em repouso e os ventrículos contraídos dá-se o nome de sístole.

O tratamento dentário em alguns casos de doenças cardiovasculares

Endocardite - a endocardite que evoluiu como resultado de bacterémia de microrganismos da cavidade oral é um dos principais dilemas na prática da medicina dentária. Um paciente com histórico de murmúrio cardíaco orgânico é considerado de risco.

Atos médicos de dentária mais invasivos, como o caso de cirurgias, são considerados de ameaça ampliada para endocardite em pacientes com doenças vasculares, defeitos septais, ducto patente e prolapso da válvula mitral com refluxo concomitante, independente de ser congénito ou adquirido.

Quando existe a necessidade de tratamentos dentários mais evasivos nos casos da presença destas doenças, existe um protocolo que deve ser tomado em conta e ser realizado para prevenção da endocardite.

Aterosclerose - é a incapacidade cardiovascular mais comum, sendo uma alteração patológica sendo também conhecida por doença vascular oclusiva aterosclerótica.

Nestes casos, o paciente deve avisar o seu médico dentista que apresenta esta doença, pois podem existir complicações da doença tromboembólica (a isquémia coronária, ou infarte do miocárdio ou ataque cardíaco) durante o procedimento clínico devido ao stress e ansiedade. O mesmo será tido em conta em doentes com hipertensão, pois também estão sujeitos a desenvolver episódios tromboembólicos.

Em certos eventos, pode ser necessário a utilização de medicação ansiolítica para prevenir situações de stress ou ansiedade.

Pessoas que tenham apresentado complicações a aterosclerose, tais como ataque cardíaco, doença da artéria coronária ou tromboflebite devem também comunicar ao seu médico dentista. A medicação que tomam, chamados de anticoagulantes, são deveras adversos a certos tratamentos dentários.

Optar pela prevenção

Quando existir algum tipo de patologia do coração, o paciente deve informar o seu médico dentista. Ele deverá solicitar um relatório ao cardiologista para avaliar como realizar os tratamentos dentários sem colocar em causa a saúde do coração.

Existem diversas formas de prevenção dos piores cenários, pelo que o paciente deve estar atento para os poder precaver.

É um erro pensar que a cavidade oral não interfere no resto do organismo. Quem foi ou estiver para ser operado ao coração terá de responder ao médico cardiologista sobre o estado dos seus dentes, gengivas e restantes elementos da boca.