Jorge Jesus, desde que assinou pelo Flamengo, tem sido notícia constante no Brasil. Não é todos os dias que um treinador europeu, particularmente português, ruma ao Brasil e a um clube com a dimensão do Flamengo. Jesus chega ao Brasil com um currículo interessante. Apresenta, como é habitual, um discurso ambicioso e alta exigência nos treinos, contrastando com o que se vê geralmente hoje em dia no futebol canarinho.

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Para já, parece ter conquistado os adeptos, e os primeiros sinais dados nos treinos e no jogo amigável contra o Madureira (vitória 3-1) indicam já uma equipa em crescimento.

Jesus assinou contrato de um ano. No Brasil, isto significa duas meias temporadas, porque uma temporada lá é um ano civil, e o treinador tem a obrigação de colocar o instável Flamengo na rota dos títulos já. A sua estreia oficial está marcada para 11 de julho contra o Athletico Paranaense, para a Taça do Brasil (1ª mão dos Quartos de Final).

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Conseguirá Jorge Jesus ter sucesso?

Não será fácil...

A seu favor, Jesus, tem o facto de ser um treinador que traz novas ideias futebolísticas ao Brasil: gosta de jogar ao ataque, não admite relaxamento nos jogos e nos treinos, tem como já se disse ambição, e é conhecedor do futebol brasileiro, conseguiu fazer desenvolver grandes jogadores do futebol mundial (como Di Maria, David Luiz, Ramirez, Matic).

Ter passado por dois grandes clubes de Portugal, com nome na Europa (Benfica e Sporting, especialmente Benfica, pelo sucesso que obteve), ajudam-no a facilitar a sua adaptação ao Brasil, ao Flamengo, e provavelmente ganhar o maior respeito de todo o clube e adeptos.

Jesus tem como pontos negativos: as suas equipas normalmente quebrarem psicologicamente na última fase da época, perdendo vários pontos; gostar de contratar vários jogadores, apostando em poucos deles; não apostar nos jovens formados nos seus clubes; por vezes tem dificuldade nas relações humanas com os jogadores, e por vezes é excessivamente arrogante.

O histórico de treinadores portugueses no Brasil é favorável a Jorge Jesus?

Não foram muitos os treinadores lusos a treinarem ao mais alto nível no país irmão.

O último caso foi Paulo Bento. Depois da passagem pela seleção portuguesa, Paulo Bento assinou em 2016 pelo Cruzeiro. A experiência foi curta, 2 meses... e acabou com despedimento.

Curiosamente, no Flamengo, já houve dois treinadores portugueses, e nenhum deles conseguiu somar títulos. O primeiro foi Ernesto Santos, em 1947, que orientou a equipa um ano. Em 48 jogos, teve 27 vitórias, 10 empates e 11 derrotas.

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Poucos anos depois, chegou o mítico Cândido Oliveira. De acordo com o site Zerozero, treinou em 1950 o Flamengo... por 5 jogos (não somando qualquer vitória).

Resumindo, não há um historial positivo no que refere ao desempenho de treinadores portugueses no Brasil.

Jesus terá um desafio muito difícil pela frente, mas se lhe derem tempo, se acreditarem nele, tem capacidade para brilhar, e fazer história no nosso país irmão.

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Se tudo correr bem, quem sabe se as portas do futebol brasileiro não se abrem a mais portugueses.

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