No dia 21 de abril de 1989, foi realizada uma manifestação de polícias que acabou por se tornar conhecida como "secos e molhados". Acabou com os manifestantes (polícias) a serem dispersados com canhões de água por outros polícias.

O Corpo de Intervenção, na altura, foi ordenado pelos seus superiores a lançar jatos de água e a usar bastões para dispersar o protesto dos polícias, na praça do Comércio, em Lisboa.

Enquanto isso, os seis agentes que estavam dentro do Ministério da Administração Interna (MAI) para entregarem um caderno reivindicativo dos polícias acabaram mesmo detidos.

Uma data histórica

Nunca esses canhões de água tinham sido usados contra pessoas e muito menos contra polícias. A Polícia de Segurança Pública (PSP) nesse dia, usou-os contra os polícias, como tal, usou-os contra a própria PSP. Nunca mais foram usados esses canhões de água.

Nessa manifestação, os polícias lutavam pelos seus interesses e direitos, tais como: liberdade sindical, uma folga semanal, transparência na justiça disciplinar com direito de defesa, melhores vencimentos e instalações.

Em novembro de 2013, os polícias mais uma vez se encontraram frente a frente, em momentos de maior tensão, mas sem confrontos.

Foi quando os sindicatos e associações das forças de segurança se manifestaram mais uma vez junto à Assembleia da República e invadiram a escadaria.

E foi esse facto que acabou por levar à demissão do diretor nacional da PSP da altura, Paulo Gomes, quando o ministro da Administração Interna era Miguel Macedo, conforme o Diário de Notícias informou em abril do corrente ano.

Novo protesto

Este ano de 2019 foi marcada para 21 de novembro, uma data tão significativa e simbólica para todos os polícias, mais uma grande manifestação de elementos da PSP e da Guarda Nacional Republicana (GNR).

Trinta anos separam a manifestação dos “secos e molhados”, mas as lutas continuam a ser as mesmas e as reivindicações também.

Os governantes insistem em fazer orelhas moucas às reivindicações dos polícias, mas esquecem-se que são eles que garantem a ordem pública, que são eles que nos protegem e defendem mesmo com o sacrifício da própria vida, que são eles que em nome da segurança pública tombam no cumprimento do dever, que são eles que diariamente no terreno são agredidos violentamente e que são ainda eles, que para os governantes e todos nós estarmos em segurança, arriscam a vida muitas vezes.

Não queiram sequer imaginar um dia sem eles, pois seria demasiado catastrófico para todos nós.

As mais altas entidades do Estado afirmam aos sete ventos que Portugal é um dos países mais seguros da Europa, mas se o é, é a esses homens e mulheres das forças de segurança que o deve, apesar de serem tão desvalorizados, tão incompreendidos, tão maltratados e tão desprezados, por aqueles que mais os deveriam proteger e cuidar dos seus interesses, nunca deixam de ser excelentes profissionais e nunca perdem o sentido de missão e do dever.

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