As aulas à distância são uma realidade que veio para ficar, devido ao distanciamento social em curso para mitigar a propagação da pandemia covid-19. As escolas estão fechadas e não há previsão de abertura, estando a ser discutida a possibilidade de o 3.º período deste ano letivo se realizar dentro de casa, à distância de um clique. Ideia perfeita para quem domina a tecnologia e tem na ponta dos dedos a astúcia de controlar à distância uma turma inteira, com ritmos e necessidades tão diferentes, com necessidades díspares.

Aulas remotas no ensino básico

As turmas rondam os 24 alunos e, regra geral, os pais têm internet e computadores em casa para as aulas à distância.

Quem não tem, enfrenta um grande desafio de adaptação rápida, sem tempo para ponderações. E os professores? Aqueles que não mexem em computadores, não conhecem as plataformas de aulas digitais, não se entendem com as teclas e com os centros gráficos? Enfrentamos um conflito de gerações que pode ter implicações no natural correr do ano letivo. Os professores têm que aprender à força a ser um dinamizador e muitos não estão a ser capazes de dar essa resposta.

Cliques no ensino secundário

Os exames nacionais e a entrada no Ensino Superior pairam na cabeça de pais e alunos. Com a incerteza do que vai acontecer, ninguém consegue perspectivar se haverá sequer tempo e espaço para exames nacionais e, se houver, em que condições se apresentam os alunos.

Por mais que se tente dar trabalho aos alunos, as matérias afiguram-se cada vez mais complexas e a presença de uma âncora na aprendizagem é fundamental para cativar e descobrir onde estão as principais debilidades. À distância, perdem-se noções de tempo e espaço que podem custar caro na hora da decisão.

À distância no ensino superior

São alunos mais independentes e o processo de Bolonha trouxe autonomia na formação dos estudantes, quase que a adivinhar o que vinha por aí. Os trabalhos e o estudo acompanhado à distância são perfeitamente exequíveis para quem demonstre interesse e vontade de evoluir.

Três realidades diferentes que correm debaixo dos nossos olhos e que, para muitos pais e professores, têm sido um desafio de tirar o sono.

O Ministério da Educação tem parecido imune às muitas solicitações de organizações de pais e professores, na tentativa de perceber o que se vai passar a partir de dia 9 de abril. Tudo indica que o Estado de Emergência vai ser prolongado por mais 15 dias e talvez renovado de novo até ao fim de abril, esgotando as esperanças das escolas reabrirem mal terminem as férias da Páscoa.

Esse período pode ser bom para se refletirem métodos e estratégias para que o ensino chegue a todos e em igual circunstâncias. Não será fácil, todos o sabemos, mas sem um rumo corremos o risco de estar a defraudar um dos pilares essenciais da democracia: a educação.

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