Era grande a expectativa em torno da audição de Ricardo Salgado, em tempos conhecido como o "dono disto tudo", sobre o já famigerado caso GES/BES. Esta terça-feira, e perante um aparato mediático só comparável aquando da ida de Oliveira e Costa à Comissão Inquérito ao caso BPN, Ricardo Salgado, acompanhado do seu advogado Francisco Proença de Carvalho e de vários assessores, entrou na sala número seis do Parlamento passavam cerca de dez minutos das 9h. A audição foi presidida por Fernando Negrão e contou com mais de duas dezenas de jornalistas e cerca de uma dezena de repórteres fotográficos. O texto abaixo retrata alguns dos vários aspectos abordados por Salgado, numa audição que durou mais de dez horas.

Natural de Cascais, o ex-banqueiro português de 70 anos iniciou os trabalhos com uma intervenção que durou mais de uma hora, mas deixou desde logo uma das declarações que viria a ser o "sound bite" do dia, ao citar um provérbio chinês: "O leopardo quando morre deixa a sua pele e um homem quando morre deixa a sua reputação". Salgado, que admitiu ter tomado algumas decisões erradas, terminou a declaração inicial (falou da troika, do Banco de Portugal, do grupo GES e das últimas semanas na liderança do BES) de forma incisiva, ao referir que o nome BES pode já não existir mas nunca se poderá apagar de uma família com 145 anos de história. Note-se que o império bancário foi construído por José Maria do Espírito Santo e Silva, bisavô de Ricardo Salgado, no século XIX.

Ainda que ao longo dos últimos meses muita tinta tenha corrido sobre a exposição de Ricardo Salgado e família a todo este caso, o ex-presidente do BES foi peremptório quando sublinhou que ele próprio e a sua família foram alvo de um julgamento sumário na praça pública, mas não deixou de ressalvar que ninguém (família e administração) se apoderou de "um tostão" no que ao esquema de financiamento da instituição bancária diz respeito.

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Com duras críticas ao Banco de Portugal (BdP), que considerou ter forçado o encerramento do BES, Ricardo Salgado salientou que Carlos Costa, governador do BdP, nunca o incitou a abandonar a liderança do BES e que "bastaria um sinal para sair da liderança do banco".

José Maria Ricciardi também foi ouvido esta terça-feira

José Maria Ricciardi, ainda presidente do BES Investimento, entrou na sala de comissão de inquérito ao caso BES por volta das 19h25. Quando tomou a palavra, o primo de Ricardo Salgado desde logo procurou colocar de parte a "responsabilidade colectiva", indicando que cada um deverá assumir os seus actos. Ricciardi fez-se acompanhar do seu advogado Pedro Reis. À hora de fecho desta edição (9 Dezembro, 22h45), o dirigente máximo do BESI ainda se encontrava a responder às questões dos deputados que constituem aquela comissão de inquérito.