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O discurso de pesar do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho alusivo ao falecimento de Mariano Gago, antigo ministro da Ciência e Tecnologia nos governos de António Guterres e José Sócrates, gerou uma onda de polémica e consternação nas redes sociais. Ainda que Passos Coelho não tenha deixado de sublinhar o "contributo inestimável" do ex-governante, a verdade é que as primeiras palavras do seu discurso foram para lembrar o percurso de Mariano Gago nos governos do Partido Socialista. Algo que de imediato mereceu reprovação no mundo digital. "Falta de sensibilidade chocante" ou "sectarismo político" são as críticas dirigidas a Passos Coelho, avança a edição de hoje do jornal i.

"Apesar de ter estado ao serviço de governos socialistas, hoje [sexta-feira, dia 17] lembramos sobretudo não as divergências políticas, mas a personalidade rica de homem de serviço público que ofereceu um contributo inestimável ao avanço da ciência no nosso país e o reconhecimento público que Portugal lhe deve pela carreira que teve e os serviços que prestou ao país", salientou o líder do Governo, num jantar de comemoração do 40.º aniversário do PSD na Área Oeste, que teve lugar em Torres Vedras.

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No entender de Nuno Saraiva, a afirmação de Passos Coelho reflecte "uma falta de sensibilidade chocante", sendo que o primeiro-ministro limitou-se a colocar "para trás das costas" o "desprezo político" que tinha para com Mariano Gago. O subdirector do Diário de Notícias (DN) considera que, em suma, "o que Pedro Passos Coelho está a dizer é que, apesar de Gago ser alguém por quem tinha profundo desprezo político e uma gritante falta de consideração partidária, é tão magnânimo que, no momento da sua morte, é capaz de pôr tudo para trás das costas", escreveu numa coluna de opinião do DN.

Mariano Gago, de 66 anos, faleceu na passada sexta-feira, em Lisboa, vítima de cancro. Licenciou-se em 1971 em Engenharia Electrotécnica, no Instituto Superior Técnico, para depois rumar a Paris para fazer um doutoramento em Física.

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Em 1976, ano em que terminou os estudos na Faculdade de Ciências da Universidade de Paris, seguiu para o Laboratório Europeu de Física de Partículas, em Genebra (Suíça), onde trabalhou como físico, no campo da aceleração e colisão de partículas. Foi ministro da Ciência em dois governos de António Guterres (1995 e 2002) e outros dois de José Sócrates (2005 e 2011). O último adeus a Mariano Gago realizou no sábado, dia 18, no cemitério de Pechão, em Olhão.