Investigadores do Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho estão a testar um projecto de produção de energia eléctrica a partir da urina humana. A iniciativa já despertou o interesse da NASA. A mesma investigação estuda, ainda, a hipótese de a urina ser usada como fertilizante. Aquele trabalho está a ser apresentado no primeiro Festival Nacional de Biotecnologia que decorre hoje e amanhã, 10 e 11 de Abril, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.

Os investigadores consideram que a urina humana, muito rica em fósforo, azoto, magnésio e amónio, bem como em matéria orgânica, reúne condições para ser usado como fertilizante e produção da electricidade.

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Os testes já realizados comprovam que com a energia eléctrica produzida a partir da urina humana se pode ligar electrodomésticos e até accionar motores para captação de água. O que poderá ser uma mais-valia para alguns territórios mais remotos, com pouco sol, designadamente na África. Um facto que poderá traduzir-se importante, já que a utilização da urina para produzir electricidade eliminará, também, alguns eventuais focos de doenças.

Por outro lado, a NASA considera que aquela solução poderá ser potenciada para a produção de fertilizantes para plantas no espaço, através do aproveitamento da urina dos astronautas.

Projecto está em fase de testes
Projecto está em fase de testes

Os investigadores desconhecem, ainda, qual a quantidade de urina necessária para produção de electricidade, mas garantem que com 300 mililitros se consegue dois volts, o equivalente a uma das pilhas mais pequenas que habitualmente é usada para pequenos electrodomésticos. Com cinco pilhas consegue-se carregar um telemóvel, e com 20 carregar um computador.

Por sua vez, para produzir fertilizante, os testes demonstram que resulta do armazenamento da urina durante seis dias, o que permitirá uma concentração rica em fósforo.

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Em cerca de meia hora, o concentrado é transformado em pó, tornando-se num fertilizante mais rico do que os fertilizantes mais convencionais. Para já, estão a decorrer testes toxicológicos e de germinação, para confirmar a potencialidade do fertilizante proveniente da urina humana.

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