Desde que foram criados, os chamados vistos Gold têm sido alvo de críticas. Durante algum tempo, o Governo conseguiu silenciar algumas das vozes opositoras a esta política, salientando os milhões que eram investidos no nosso país graças a este programa de atribuição de autorizações de residência a estrangeiros não comunitários. Contudo, as recentes polémicas, que já derrubaram um ministro e envolvem outros importantes nomes do Estado, deixam adivinhar que o futuro dos vistos dourados, pelo menos como os conhecemos até agora, não será risonho.

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Os números já confirmam a decadência desta iniciativa.

Dados revelados ontem pela Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI) dão conta de uma diminuição de 10 milhões de euros nos investimentos em imobiliário através dos vistos Gold em Março, face ao mês anterior. O valor investido foi de 45 milhões de euros. A CPCI considera que as alterações legislativas ao programa, anunciadas pelo vice-primeiro-ministro Paulo Portas em Fevereiro, terão sido um factor decisivo nesta retracção.

Os Vistos Gold continuam envoltos em polémica
Os Vistos Gold continuam envoltos em polémica

Se era já óbvio que este programa era incapaz de criar emprego no país - não há, até ao momento, registo de qualquer posto de trabalho criado ao abrigo desta iniciativa - fica agora também claro que, a nível imobiliário, também já não haverá muito para dar. "Por isso é que é difícil olhar com optimismo para a intenção anunciada pelo Governo de alargar os critérios de atribuição dos vistos Gold à reabilitação urbana, às actividades de investigação ou ao apoio à produção artística e cultural", escrevia ontem o Público, em editorial.

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Ao mesmo tempo que o investimento arrefece, os escândalos sucedem-se. O mais recente nome a ser apanhado nas malhas deste caso foi o do presidente do Tribunal da Relação de Lisboa, Luís Vaz Neves. Segundo o jornal i, o juiz foi gravado nas escutas a oferecer o seu apoio, "pessoal e institucionalmente", a António Figueiredo, o então presidente do Instituto dos Registos e Notariado, actualmente em prisão preventiva por indícios de corrupção, tráfico de influências e abuso de poder, precisamente no âmbito da operação Labirinto.

Quando os vistos Gold foram anunciados, uma das críticas apontadas era a possibilidade de o programa atrair criminalidade estrangeira para o país ou mesmo facilitar a lavagem de dinheiro. O que esta iniciativa tem revelado, contudo, é a corrupção e o tráfico de influências que já existia na nossa administração pública e que não vem de fora.
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