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Em 2014 a revista Condé Nast Traveller, publicação espanhola especializada em Turismo, considerou a praia Dona Ana, em Lagos, como a "melhor praia do mundo". Escrevia a autora da peça, Maria del Mar López que "a cor turquesa das suas águas destaca-se entre os penhascos íngremes naturais desta praia considerada como a mais bela de Portugal. O perfil rochoso de todas as praias do Algarve não a faz menos atractiva a olhos turísticos, sendo das mais visitadas nos meses de verão. Nesta zona turística, onde não fica um centímetro por urbanizar, as praias enchem-se de chapéus de sol e as rochas transformam-se em fortes onde as crianças brincam durante todo o dia". Hoje, da sua água cristalina, do seu fundo rochoso, do areal único e da belíssima paisagem com que cada visitante se deparava, muito pouco resta.

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Para além da Condé Nast Taveller, os utilizadores do site de viagens TripAdvisor tinham considerado, no início deste ano, a Praia da Dona Ana como a melhor praia de Portugal e a 20ª melhor praia da Europa. Hoje, muitos dos turistas que visitam a praia consideram que se fez mal em alterar o local. "Recordo-me de vir a esta praia há uns vinte anos, era pequenina e muito bela. Não gosto como ela está", comentou um turista inglês de férias com a esposa.

A praia que era e a que se encontra hoje

Com a intervenção polémica que se fez na praia, esta deixou de ser o que era, está transfigurada e, para muitos turistas e locais, "para pior". A praia já não é um cartaz postal como era há bem poucos meses.

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Deixou de se ver o fundo rochoso através da água cristalina. Agora no seu lugar encontramos um extenso areal. A mágica travessia, que se fazia do areal principal da praia para o pequeno areal que se encontrava na zona direita da mesma, na altura de maré vazia, deixou de poder ser feita. Com as obras, juntaram-se os dois areais, avançando a praia para a frente.

Segurança e riscos

Apesar de se apresentar mais segura, a praia ainda tem os seus riscos. As arribas ainda não foram intervencionadas e a densidade de betão que se encontra sobre as arribas apresenta sério risco para as mesmas. A zona de passadiço, ao lado do Edifício Montana, é um exemplo. Não estando as arribas seguras, apresentam perigo para quem recorre à sua sombra para fugir ao calor e aos raios solares.

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Obras não agradam a todos

Com forte oposição da Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental - Almargem e de muitos lacobrigenses, através das redes sociais, as obras de ampliação artificial da praia, da responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente, foram para a frente. Com um custo estimado de 1,8 milhões, as mesmas visam proteger as arribas da erosão das marés. Porém, o timing destas não foi o melhor. São máquinas a operacionalizar ao lado dos toldos e tubos que lançam areia na zona de praia que está interdita a banhistas, provocando mau cheiro e confusão.

Para muitos, a praia Dona Ana já não é uma beleza natural; tornou-se, simplesmente, uma praia artificial. Há quem deseje que "a Natureza faça o seu trabalho" e volte a transformar a praia naquilo que ela era.

Mais praias intervencionadas

Para além da Praia da Dona Ana, mais de 20 praias em todo o país, serão alvo de intervenção. Praias como a Zambujeira do Mar (Odemira), Praia da Adraga (Sintra), Lagoa de Óbidos ( Caldas da Rainha) ou a Praia de Odeceixe (Aljezur) são algumas das praias sujeitas a intervenção, segundo a Agência Portuguesa do Ambiente.

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