A UNESCO classificou esta semana como Património Cultural Imaterial da Humanidade a produção, em #Barro, dos "#Bonecos de Estremoz", uma arte popular com mais de três séculos e que faz parte da identidade cultural deste concelho do Alentejo.

As primeiras alusões ao figurado de Estremoz são do princípio do séc. XVIII. A arte de fazer bonecos de Estremoz não era realizada pelos oleiros da vila, mas sim por mulheres, que eram chamadas de "boniqueiras". Estas mulheres não tinham o seu trabalho reconhecido enquanto ofício, como o tinham os oleiros de barro fino e de barro grosso.

Estão catalogadas mais de cem figuras diferentes e todos os dias se inventam outras novas, sempre relacionadas com o quotidiano da gente alentejana, da sua vivência rural e também urbana.

Estes bonecos tiveram provavelmente o seu início na necessidade espiritual do povo, que queria ter em casa os santinhos da sua devoção. Dado que comprá-los em talha era impensável, devido ao seu preço, pensa-se que alguma mulher que trabalhava com barro se terá atrevido a modelar um santinho da sua devoção e daqui terá nascido a tradição, numa terra onde o barro era basto.

Estas mulheres bonequeiras, possivelmente já habituadas a abrilhantar os períodos festivos, com toalhas e outros adereços artesanais, resolveram também fazer bonecos alusivos a estas datas especiais. Surgiram os Reis Negros, as Primaveras, os Músicos, entre outros, todos eles cheios de cor, imaginação e ironia.

Fizeram também a sua interpretação dos presépios da Escola de Mafra e, dos santinhos, passaram para os Presépios eruditos, que observavam nas casas mais abastadas e nos Conventos, e adaptaram-nos à popular mundividência das bonequeiras.

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No inicio do séc. XX, e após a morte da bonequeira Gertrudes Rosa Marques e dada a pouca rentabilidade da sua oficina, os bonecos de Estremoz estavam praticamente esquecidos. Voltam a aparecer com a Fundação de Artes e Ofícios, em 1924, e pela vontade de salvar a tradição do Director da escola, Sá Lemos.

Hoje temos vários bonecos que representam as profissões Alentejanas, brinquedos de assobio, Miniaturas ou ‘Brincos’, bonecos de carácter religioso e simbólico.

A decorrer na ilha Jeju, na Coreia do Sul, até hoje, a 12.ª Reunião do Comité Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para Salvaguarda do #Património Cultural Imaterial, decidiu ontem, pela 01:05 (hora de Lisboa), que estas figuras de barro deveriam ser distinguidas.

E este prémio foi celebrado com muita alegria pela comitiva portuguesa que durante os festejos exibiu alguns bonitos exemplares destes "Bonecos de Estremoz". Afinal são o primeiro figurado, com mais de 300 anos de história, a merecer a distinção de Património Cultural Imaterial da Humanidade.

A candidatura teve como responsável técnico o diretor do Museu Municipal de Estremoz, Hugo Guerreiro.

Estão também de parabéns os diversos artesãos do concelho, que se dedicam à modelação manual de mais de uma centena de figuras diferentes, em barro cozido, policromado, ainda segundo a técnica que teve origem no séc XVII.

Neste fim de semana prolongado aproveite, visite Estremoz e os seus barristas e, não resista, traga consigo um bonequinho tão genuíno e, agora também, premiado como Património Cultural!