A última semana em Lisboa foi muito concorrida devido à organização da 63.ª edição da Eurovisão. O Altice Arena foi o palco escolhido para receber este evento devido à vitória de Portugal na edição anterior em Kiev. O slogan “All Aboard” foi o escolhido para o evento e está relacionado com o passado de Portugal e a importância de Lisboa nas rotas marítimas. O palco que foi montado para a Eurovisão reflete essa mesma história do país e inspirava-se em quatro elementos: mapas, oceano, navios e navegação.

Acrescento também que somos um país tolerante e favorável à diversidade cultural, e por isso todos são bem vindos para participar na Eurovisão.

Este ano concorreram 43 países e atuaram divididos por duas meias finais, realizadas nos dias 8 e 10 de Maio.

Os 10 primeiros classificados de cada dia passaram à final sendo que 50% do voto vieram do público e 50% dos jurados dos países que participaram em cada meia final. A final da competição efetuou-se no último sábado dia 12 e contou com 26 países. A classificação na final (50% do voto dos jurados dos 43 países participantes e 50% do voto do público) foi a seguinte:

1- Israel: 529 pontos

2- Chipre: 436 pontos

3- Áustria: 342 pontos

4- Alemanha: 340 pontos

5- Itália: 308 pontos

6- República Checa: 281 pontos

7- Suécia: 274 pontos

8- Estónia: 245 pontos

9- Dinamarca: 226 pontos

10- Moldávia: 209 pontos

11- Albânia: 184 pontos

12- Lituânia: 181 pontos

13- França: 173 pontos

14- Bulgária: 166 pontos

15- Noruega: 144 pontos

16- Irlanda: 136 pontos

17- Ucrânia: 130 pontos

18- Holanda: 121 pontos

19- Sérvia: 113 pontos

20- Austrália: 99 pontos

21- Hungria: 93 pontos

22- Eslovénia: 64 pontos

23- Espanha: 61 pontos

24- Reino Unido: 48 pontos

25- Finlândia: 46 pontos

26- Portugal: 39 pontos

Durante o espetáculo da final houve diversas atuações de artistas portugueses.

Os melhores vídeos do dia

Primeiro surgiram as fadistas Ana Moura e Mariza; que cantaram uma música cada; en seguida, os Beatbombers, agrupamentos compost pelos DJs Ride e Stereossauro que criaram o genérico da Eurovisão deste ano e apresentaram-no na final da competição. Mais tarde cantaram os “Som de Lisboa”, grupo composto por Branko, Mayra Andrade, Sara Tavares e Dino D’ Santiago.

Como é tradição neste evento, o vencedor da edição anterior, o português Salvador Sobral, participou na final e cantou o tema com que ganhou a Eurovisão “Amar Pelos Dois”, desta vez em dueto com o brasileiro Caetano Veloso. Para além dessa Música, apresentou um novo tema do seu reportório e no fim da noite entregou o troféu à nova vencedora, a israelita Netta Barzilai. A apresentação do espetáculo foi da responsabilidade de Silvia Alberto, Filomena Cautela, Daniela Ruah e Catarina Furtado, tal como aconteceu nas duas meias finais.

O "regresso" da Eurovisão

Durante muito tempo houve algum afastamento da população em relação à Eurovisão mas no ano passado a situação alterou-se devido à nossa primeira vitória, com a canção “Amar pelos os dois” interpretada por Salvador Sobral e escrita pela a sua irmã Luísa.

A Eurovisão foi um evento que contribuiu para uma melhor imagem do país e teve papel importante na promoção turística. Todos os cantores foram a uma zona do país onde fizeram um vídeo de apresentação que foi mostrado antes de entrarem em palco. Este aspeto contribuiu para a divulgação e promoção do turismo em Portugal.

Para além disso, estiveram presentes cerca de 2 mil jornalistas de 80 países, 500 bloggers e cerca de 90 mil pessoas vieram a Lisboa com o objetivo de assistir à Eurovisão. Como muitos não tiveram possibilidade de adquirir bilhete para os espetáculos no Altice Arena, foi criado um recinto dedicado ao Festival no Terreiro do Paço chamado “Eurovision Village”. Este espaço esteve aberto durante toda a semana da competição e era composto por um palco onde decorreram diversos concertos de homenagem a alguns cantores portugueses que participaram na Eurovisão mas também foi utilizado por concorrentes deste ano com o objetivo de promoverem as suas canções e conquistarem o público. No recinto havia também um ecrã gigante para os fãs poderem assistir às meias finais e final, restaurantes e zonas para parceiros e patrocinadores do evento.

O orçamento necessário para a organização foi cerca de 20 milhões de euros, o mais barato dos últimos 10 anos, e estima-se que 200 milhões de pessoas tenham visto o espetáculo pela televisão. Foi uma oportunidade de mostrarmos a nossa capacidade organizativa e de nos enchermos de orgulho por realizarmos um evento desta dimensão. Neste momento ainda é cedo saber o impacto económico do evento, mas estima-se que possa atingir os 100 milhões de euros (hotéis, restaurantes e outros setores ligados ao turismo) e deste modo, a organização da Eurovisão pode ter grandes efeitos positivos no país. No futuro esperamos ter uma nova oportunidade de organizarmos este evento e vivermos de novo as mesmas emoções.