Os factos remontam a 12 de setembro de 2017, quando Ilda Gonçalves asfixiou o filho Rafael de apenas dez anos com um cachecol, no interior da sua residência na localidade de Catraia do Sortelhão, concelho da Guarda. O colectivo de juízes do Tribunal desta cidade não teve dúvidas quanto à culpabilidade da arguida e condenou-a a uma pena de 18 anos, considerando ainda que a mulher tinha noção de que estava a cometer um crime.

Como tudo aconteceu

Pelas 08:30 da manhã daquele dia, Ilda Gonçalves trancou a porta de casa e foi ao quarto do filho onde lhe provocou a morte, asfixiando-o com um cachecol, de acordo com a autópsia realizada pelo Gabinete de Medicina Legal do Hospital da Guarda.

Depois, avisou a madrinha do menino que nesse dia ele não iria à escola e tomou comprimidos com o objectivo de se suicidar também e deitou-se na cama.

O corpo de Rafael só foi encontrado na tarde desse dia, quando o pai chegou a casa. Chamadas as autoridades ao local, a mulher foi internada no serviço de psiquiatria da Unidade Local de Saúde da Guarda, de onde teve alta mais de um mês depois, tendo sido transferida para Hospital Prisional de São João de Deus, em Paço de Arcos, Oeiras, onde ficou a aguardar julgamento em prisão preventiva.

O motivo de Ilda Gonçalves

O julgamento começou a 20 de junho deste ano e, na primeira sessão, Ilda Gonçalves confessou o crime. Mas na sua defesa em tribunal, argumentou que tinha sido motivada por vozes que ouvia na sua cabeça e que lhe diziam que tinha que proteger a criança.

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Acrescentou ainda que essa vontade já existia há algum tempo, apesar do filho não apresentar queixas nem da escola, nem dos colegas.

Apesar do tribunal reconhecer que a mulher de 46 anos sofria de Síndrome Depressivo Grave com Sintomatologia Psicótica, deu como provado que esta sabia o que estava a fazer e que agiu de livre e consciente vontade para tirar a vida ao filho de dez anos. A este entendimento, o colectivo de juízes acrescentou ainda o facto de que Ilda Gonçalves sabia que o seu comportamento constituía um crime e que era punido pela lei.

Isto mesmo consta do acórdão publicado a 28 de junho e tornado público esta quinta-feira pela Agência Lusa, exactamente dez meses depois do crime, que dá ainda conta da pena de 18 anos de prisão. A moldura penal para este tipo de crimes vai até aos 25 anos, a pena máxima que pode ser aplicada em Portugal, mas os juízes tiveram em conta o facto de a mulher não ter antecedentes criminais, ter confessado todos os factos e, ainda, estar bem inserida na comunidade.