O facto de o militar da Guarda Nacional Republicana (GNR) Hugo Ernano ter aceite ser candidato independente às eleições legislativas pelo partido Chega, de André Ventura, no Porto, acaba de lhe valer um processo disciplinar.

Os militares da GNR possuem um estatuto que os proíbe de ter vínculos partidários. Por esse mesmo facto, para eles se candidatarem têm de ser independentes e estarem devidamente autorizados, o que levou Hugo Ernano a pedir uma licença especial à GNR, e a mesma aceitou. Hugo Ernano discursou, posteriormente, na convenção do Chega.

Processo contra Hugo Ernano

Mas conforme o Correio da Manhã adiantou numa das suas edições informativas, a Guarda Nacional Republicana instaurou um processo disciplinar ao militar, e será o Ministério da Administração Interna (MAI) a ter a decisão final.

Conforme foi comunicado ao Hugo Ernano na semana passada, a 4 de julho, no Comando Geral, esse processo disciplinar pode mesmo acabar numa expulsão.

André Ventura, o responsável do partido Chega, através do Correio da Manhã, deixou bem claro que se essa acção disciplinar avançar, o seu partido vai apoiar o militar financeira e juridicamente no que for preciso. E disse ainda que em Portugal os polícias parecem mesmo não ter direitos.

O Correio da Manhã tentou contactar Hugo Ernano, mas o próprio afirmou não estar autorizado a falar do assunto. Também tentaram obter a opinião da GNR e do MAI, mas sem sucesso algum. Ficam por esclarecer os pormenores por detrás do processo.

Condenação no passado

Convém recordar que Hugo Ernano, em 2008, tinha sido condenado inicialmente a 9 anos de prisão, por ter morto um menor de 13 anos de idade durante uma perseguição policial, levado pelo próprio pai para um assalto.

O militar acabou por ver a sua pena reduzida pelo Tribunal da Relação para 4 anos de pena suspensa e a indemnização também foi reduzida, mas os pais do menor, após recurso ao Supremo, viram a indemnização a ser aumentada novamente para 55.000 euros (44 mil à mãe e 11 mil ao pai).

Hugo Ernano acabou por ser suspenso pelo Inspecção Geral da Administração Interna (IGAI) durante 8 meses, com corte de ⅔ do vencimento.

Convém ainda relembrar que em 2015, um livro sobre a história de Hugo Ernano foi escrito, denominado: "Bala Perdida". Esse livro descreve de forma sucinta e clara tudo o que este militar passou, permitindo aos seus leitores desfazer dúvidas que eventualmente possam ter sobre o caso.

O dinheiro resultante dos direitos de autor, que reverteu totalmente para o militar, ajudou a pagar todas as custas dos tribunais.

Quanto aos 55 mil euros que Hugo Ernano não possuía e que precisava para pagar a indemnização aos pais do menor, em pouco tempo foram conseguidos através de angariações de fundos num grupo restrito de familiares e amigos.

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