António Costa renunciou estaquarta-feira, dia 1 de abril, ao mandato de presidente da Câmara Municipal deLisboa. A decisão do agora ex-autarca foi conhecida ontem, terça-feira, nofinal da reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, e anunciada esta manhã. Pordetrás desta renúncia de António Costa está a intenção do secretário-geral do PS se dedicar em exclusivo ao partido, de modo a começar a alinhar a estratégiapara as eleições legislativas que se avizinham.

Recorde-se que, há meses atrás,António Costa garantiu que iria acumular as duas funções, mas as críticas(internas e externas) que lhe têm sido dirigidas nos últimos tempos falarammais alto, levando o líder socialista a reconsiderar a sua posição.

Numa declaração emocionada, queteve lugar nos Paços do Concelho, António Costa sublinhou que “deixa a casa arrumada” e queagora é tempo de “servir Portugal e os portugueses”.

“Durante estes sete anosvencemos a crise municipal e combatemos a crise nacional”. No entanto, oex-edil, que será substituído por Fernando Medina na liderança dos destinos do município,entende que agora é “tempo de encerrar um ciclo e abrir a porta a um novo, no municípioe no país”.

As reacções à saída de AntónioCosta não são particularmente favoráveis para o secretário-geral dossocialistas. António Prôa tem esperanças que a cidade “regresse à normalidade”,após um interregno que contou com um “presidente a meio tempo”, afirmou overeador do PSD, citado pela Agência Lusa.

De resto, Prôa considera que a saídade Costa peca por tardia. “[António Costa] Já se devia ter desvinculado dassuas responsabilidades”, na medida em que passou “mais tempo fora do que emLisboa”.

Já Luís Montenegro, líder dabancada parlamentar social-democrata, reagiu ao anúncio de Costa, atacando olíder do maior partido da oposição. Montenegro sublinhou que, “uma vez mais”, oex-presidente da Câmara da Lisboa não conduziu os seus mandatos até ao fim.“Verifico uma vez mais que o dr.

António Costa não leva até ao fim um mandatopolítico. Por enquanto, é o meu único comentário”, salientou Luís Montenegroaos jornalistas, à entrada de uma reunião com deputados do PSD.

João Gonçalves Pereira, por seuturno, frisou que o município não se esgota em António Costa, pelo que a cidadeseguirá o seu rumo sem o ex-autarca socialista. “Nos últimos tempos tem-senotado a ausência do senhor presidente em consequência das responsabilidadesque tem como secretário-geral do PS”.

O vereador do CDS-PP na autarquia não temdúvidas: “Há mais vida para além de António Costa e a cidade viverá bem” após asua saída.

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