Pedro Nunes Rodrigues é um dos candidatos às primárias do LIVRE/Tempo de Avançar. Tem 22 anos, é natural da freguesia de S. Pedro, no Funchal e passou a maior parte da sua vida em Monte Real, perto de Leiria, cidade onde se licenciou em Comunicação Social e Educação Multimédia, pelo Instituto Politécnico de Leiria. Atualmente vive em Lisboa e é membro da Assembleia do LIVRE, membro do Conselho do Tempo de Avançar e faz parte do grupo de comunicação do Tempo de Avançar.

Como é que o interesse na política surgiu?

Quando começo a crescer, sobretudo quando ingresso no Ensino Superior e começo a aperceber-me do mundo que está à minha volta.

Até aos meus 17 anos era um bocadinho politicamente inconsciente, apesar de, a partir do 5º ano, já ver os debates quinzenais. Via, gostava daquilo e interessava-me. Quando vou para o Ensino Superior começo a aperceber-me que há muitas coisas com as quais eu não concordo ou que podiam ser feitas de melhor forma. Há muitas injustiças que podem ser corrigidas e que eu percebo que há quem não as queira corrigir por interesses que não interessam à sociedade. A política é feita para a sociedade.

Foi por estar insatisfeito com o Ensino Superior que entrou no núcleo do seu curso?

O núcleo surgiu com a vontade de acrescentar alguma coisa aos estudantes. Por exemplo, o fotojornalismo é uma das áreas mais desfalcadas naquele curso e, na altura, pensei que podia melhorar isso ao realizar workshops.

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Não se trata de receber um diploma, trata-se de dar conhecimentos. Mas a entrada no núcleo foi apenas a primeira fase, a segunda foi entrar no LIVRE/Tempo de Avançar.

Como decidiu entrar no LIVRE/Tempo de Avançar?

Ouvi falar do partido nas notícias e fui tentar perceber o que é que defendia. O LIVRE/Tempo de Avançar defendia que não é um diretório partidário que tem de decidir o que o partido quer. Quem tem que decidir é um conjunto mais alargado de pessoas: os cidadãos. Isso interessou-me porque o LIVRE/Tempo de Avançar é um partido aberto. Nos outros partidos, para não dizer em todos, não há a possibilidade de dar opinião, foi por isso que quis entrar no partido. A democracia participativa é a maior diferença para os restantes partidos de esquerda. Nem vale a pena falar da direita.

O que está errado na direita?

A ideologia. A forma como defendem que o estado deve ter o mínimo de intervenção na economia. O estado não deve intervir a 100% no sentido de termos um regime nacionalizado, mas deve ter instrumentos que regulem o mercado.

Então porque é que a direita está no poder há tantos anos?

Porque a esquerda nunca se conseguiu entender. Em Portugal há o PCP, "extrema-esquerda", que é demasiado conservador, há o PS que ora é de esquerda ora não é e depois há o Bloco de Esquerda. O BE começou bem mas entretanto acostumou-se ao lugar de oposição. A porta-voz do Bloco disse há pouco tempo que o BE é o partido que "põe o dedo na ferida". Mais do que ser alguém que mete o dedo na ferida, eu acho que é importante que um partido tenha aspirações de poder, por mais pequeno que ele seja. O sentido da existência de um partido é governar.

O problema da esquerda é não querer subir ao poder?

A esquerda neste momento não quer ser o poder. A esquerda quer estar na oposição a pôr o dedo na ferida e isso é tudo menos saudável para um regime democrático. Se nós temos um eleitorado que vota bastante à esquerda, então porque é que nós não temos a esquerda no Governo? Porque não há entendimento. O LIVRE/Tempo de Avançar nasceu para assumir um compromisso de governação.

O LIVRE/Tempo de Avançar quer ser Governo já?

O LIVRE/Tempo de Avançar quer ser Governo assim que os portugueses sintam que é tempo do partido ser Governo.

O tempo é agora?

A urgência de mudar as políticas deste Governo é muita. Aliás, um dos objetivos principais da nossa candidatura às legislativas é atirar a direita para oposição durante muitos anos. O importante é ter um Governo de esquerda.

E será o LIVRE/Tempo de Avançar a fazê-lo ou pode ser outro partido de esquerda?

Não se trata de sermos nós ou não. Nós estamos disponíveis para fazer Governo e/ou para fazer entendimentos à esquerda. Mas nós não queremos ser bengala de ninguém nem queremos ter bengalas ao nosso lado. Nós queremos ter o consenso mais alargado possível para um Governo de esquerda.

Na sua candidatura fala de falhas no Ensino Superior. O que é que faz falta?

Financiamento para apoio aos estudantes. Na Constituição da República Portuguesa está escrito que o ensino deve ser universal. Neste momento, o Ensino Superior é seletivo. Em primeiro grau porque cobra propinas muito elevadas. É óbvio que tem que se arranjar uma solução para financiar o Ensino Superior, não sei dar essa solução. Isso vai com discussão em Assembleia, é trabalho legislativo. Mas o principal problema é a forma como se está a fechar aos estudantes cujas famílias não têm possibilidade de pagar as propinas. Há bolsas, mas o número de bolsas de há 4 anos para cá diminuiu drasticamente. E muitas vezes alguém que não consegue estudar não o faz por não conseguir pagar as propinas, porque muitas vezes acarreta ter gastos de alojamento, deslocações ou alimentação.

Se conseguir um lugar nas listas às próximas legislativas, qual será o primeiro passo?

O primeiro passo será apresentar-me com toda a energia para que o LIVRE/Tempo de Avançar consiga um bom resultado nas Eleições de forma a poder influenciar o próximo Governo.