No contexto europeu, ao contrário do que se possa imaginar, Portugal não está assim tão mal no que diz respeito à igualdade de género na política. Contudo, se no ensino superior as mulheres são já a maioria, na política este crescimento poderá não se traduzir de forma automática numa equivalente melhoria na sociedade. Quem o diz é a eurodeputada Liliana Rodrigues. “Independentemente do número de mulheres, espero sobretudo que a igualdade de género passe a ser uma questão transversal a todas as áreas políticas. Mais mulheres é, a priori, um bom sinal mas tudo dependerá da abertura que as mesmas tenham para enveredar por uma sociedade mais justa e na força que tenham para contrariar aqueles que persistem na manutenção do actual estado de coisas ou que se refugiam na crença ilusória de que o tempo se encarregará de equilibrar as coisas”, defendeu Liliana Rodrigues.

Mas para isso importa também, segundo a eurodeputada, chamar os homens para esta discussão e para a construção de uma sociedade mais justa e igual.

Para Ana Gomes, a Lei da Paridade está finalmente a fazer o seu caminho e acaba por ser o resultado do facto de as mulheres serem hoje mais instruídas e qualificadas. “As mulheres têm uma perspectiva e uma sensibilidade própria na maneira de ver todas as questões, desde as sociais às de segurança, defesa, sem esquecer as económicas e financeiras, pelo que espero que uma perspectiva feminina se reflicta na forma de resolver os problemas do país”, defendeu a profissional que ao longo de toda a sua carreira política nunca sentiu qualquer discriminação mas notou a diferença. “Sempre senti que tinha que ser melhor, mais capaz, mais aguerrida, mais persistente e, sobretudo, não me deixar amachucar porque tentativas houve muitas”, concluiu.

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Inês Zuber foi para o Parlamento Europeu em nome do PCP em substituição de Ilda Figueiredo que, em 2012, abandonou o hemiciclo europeu ao fim de 12 anos. Para a atual eurodeputada, “a experiência demonstra-nos que as decisões políticas decorrem de convicções políticas e ideológicas e não do facto de se ser homem ou mulher”, recordando figuras como Thatcher, Merkel ou Lagarde que, mesmo sendo mulheres, desencadearam políticas profundamente anti-sociais e contra os #Direitos das mulheres.

Também Ilda Figueiredo deixou uma palavra de esperança para o próximo ciclo: “tenham coragem para assumir o seu papel de deputadas, como mulheres que são, abertas ao diálogo com as outras mulheres e atentas à necessidade de responder aos seus justos anseios e às suas aspirações de realização pessoal, profissional, familiar e política”.

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