Esta terça-feira era o dia decisivo no que à morte medicamente assistida diz respeito. Ao todo, quatro projetos de lei foram apresentados na Assembleia da República pelo PS, PAN, Bloco de Esquerda e PEV. Dos 230 deputados que compõem o Parlamento, apenas um não votou por se encontrar ausente. À proposta socialista faltaram apenas cinco votos para a aprovação.

Depois de um debate de quase três horas, em que se apresentaram e debataram os quatro projetos, a votação procedeu-se de uma forma nominal, em que todos os deputados foram chamados, por ordem alfabética, a manifestar o seu voto perante cada um dos projetos.

Estas quatro propostas apresentavam diferenças relativamente ao local e ao processo de validação; contudo, sabia-se à partida que quer o PCP como o CDS iriam votar contra todas elas.

Já o Bloco de Esquerda, Verdes e PAN votariam favoravelmente. A dispersão de votos dos social-democratas foi o que acabou por não fazer aprovar nenhum dos quatro projetos.

Ainda assim, o diploma do Partido Socialista foi aquele que esteve mais perto de conseguir ser aprovado. Dos 229 deputados que votaram, 110 foram votos favoráveis, 115 contra e quatro abstenções. Agora, e após o chumbo no hemiciclo da Assembleia da República, as quatro iniciativas irão baixar à Comissão de Assuntos Constitucionais .

Antes de começar a discussão, decorreu em frente ao Parlamento um protesto promovido pelo movimento “Toda a Vida tem Dignidade”, no qual, entre entre palavras de ordem se ouvia "Vida sim, morte não". Nesta manifestação a líder do CDS, Assunção Cristas, marcou presença junto dos manifestantes.

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No final da votação, e entre as reações dos partidos, ouviu-se Catarina Martins referir que o Bloco de Esquerda ainda irá levar de novo este assunto a debate no Parlamento.

Em todo o mundo são poucos os países em que já é permitida a eutanásia, entre eles a Holanda, o primeiro a conceder o direito à morte medicamente assistida, e também a Suiça, Bélgica, Luxemburgo e Alemanha, na Europa. Na continente americano, são os casos de Colômbia, Canadá e Estados Unidos da América, nomeadamente nos estados de Washington, Oregon, Vermont, Novo México, Montana e Califórnia.

De recordar que ainda no passado mês de abril foi noticiado que um cientista australiano de 104 anos, David Goodball, iria viajar até à Suiça para pôr termo à sua vida, não por se encontrar em fase terminal de nenhum tipo de doença mas sim pela sua qualidade de vida ter piorado nos últimos anos.