O processo da meditação é uma busca pessoal pela paz interior e cada pessoa tem de encontrar o seu próprio caminho. Tal como vimos anteriormente, é necessário encontrar a postura que seja mais eficaz para chegar ao patamar desejado de paz interior. Mas é possível integrar outras técnicas milenares que poderão enriquecer a prática da meditação. Neste artigo, vamos falar de uma delas, os mudras (também conhecido como yoga mudras).

Mudra significa em sânscrito “selo” e é um gesto ritualista muito usado no hinduísmo e no budismo.

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Não é por acaso que a imagem clássica da meditação que conhecemos mostra sempre o sujeito (normalmente Buda) a fazer um dos mudras mais comuns, a posição Gyan, que consiste em tocar o dedo indicado com o polegar enquanto os outros relaxam ligeiramente curvados. Assim sendo, os mudras e a meditação estão intimamente ligados desde a sua génese, algo que grande parte das pessoas desconhecem. Também nas danças tradicionais indianas são usadas mudras, como fazendo parte do próprio ritual da dança em si.

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Cada gesto que é feito com as mãos tem um efeito específico que consiste, explicando de uma forma simples, em transformar o que se sente por aquilo que se quer sentir. A sua origem é desconhecida, não havendo certezas de onde ou quando surgiu, já que quando são encontrados indícios da sua existência em culturas em todos os cantos do mundo e em termos mitológicos, é visto como algo secreto, anterior à faculdade de ler e falar. Se pegarmos na tradição ayurvédica, onde se acredita que o corpo humano é composto pelos cinco elementos que compõem a própria natureza, os mudras são mais uma forma para equilibrar e regularizar os desequilíbrios que o nosso corpo possa ter.

Os cinco dedos representam os cinco elementos, sendo que o mínimo representa a água; o anelar, a terra; o médio, o éter (ou espaço); o indicador, o ar; e o polegar, o fogo. Pegando também nos conceitos de reflexologia, onde todo o corpo está representado nas mãos e nos pés, através da pressão e da posição dos dedos, a energia e o seu fluxo pode ser conduzido ou travado para o intuito desejado.

Além do mudra Gyan referido atrás (que ajuda a clarificar a mente e a equilibrar de uma forma geral o corpo), temos a posição Dhyana, clássica também na sua associação ao processo de meditação, que consiste em colocar a mão esquerda virada para cima sobre a palma da mão direta com os polegares a tocarem-se.

Esta posição também ajuda a capturar a tranquilidade que tanto se procura quando se medita. Para uma maior concentração no próprio indivíduo, o mudra Akash ajuda a ter uma maior consciencialização dos desequilíbrios energéticos e a colmatá-los. Basta juntar o polegar e dedo médio, mantendo esticados os restantes dedos.

O mudra Vajra, conhecido também como o “Punho dos 5 Elementos”, visa o equilíbrio específico dos cinco elementos, tal como o próprio nome indica.

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A mão direita fecha-se sobre o dedo indicador esquerdo, ficando com o polegar direito sobre a ponta do indicador esquerdo. Bastante comum é também o mudra Uttarabodhi, que simboliza a perfeição e está associado ao divino. As mãos são entrelaçadas sobre o colo, com os indicadores a tocarem-se estendidos, os restantes cruzam-se e dobram-se.

Estes são apenas alguns mudras, no entanto existem muitos mais, usados tanto na meditação, yoga, rituais tântricos e dança.

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Podem ser usados também no quotidiano, sem serem necessariamente inseridos em qualquer tipo das actividades atrás mencionadas.

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