Tudo começou depois do falecimento do pai. Maria da Conceição Viana começou a olhar com uma preocupação diferente para a sua filha. “A Inês começou a ‘procurar’ umas dietas, fosse uma à base de sopa ou outras que por aí iam surgindo”, começou por recordar.

Percebendo que a filha não desistia da mesma ideia, Conceição aconselhou-a a procurar a ajuda profissional de uma nutricionista e, posteriormente, de uma psicóloga mas parecia que estava a “nadar contra a corrente”.

O estado de saúde da filha deteriorava-se de dia para dia. Depois das primeiras consultas com a nutricionista, o peso de Inês diminuiu de tal forma que a mãe não conseguia olhar para a filha sem roupa.

Mas a verdade é que a jovem foi sempre pedindo ajuda e mostrando à mãe que as ajudas profissionais não estavam a corresponder às expectativas criadas. Foi, depois de muitas dificuldades e muitos quilos perdidos, a esperança surgiu na figura de uma psiquiatra especializada em distúrbios alimentares e foi a partir deste momento que a “situação começou a alterar-se para melhor”, relembrou Conceição que, ao longo de todo este processo, foi tentando ajudar o melhor que podia mas “as doenças chamadas ‘de cabeça’ não são fáceis para um leigo entender e, muitas vezes, só fica a revolta de não perceber onde é que errei”.

“Impotente, sempre”

Embora nunca tenha baixado os braços, Conceição Viana sentia que por muito que tentasse, não estava a conseguir ajudar a filha a ultrapassar esta difícil doença que “não dá margem de manobra para grande ajuda”.

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Ainda assim, aos olhos de uma mãe que nunca desistiu, existem sempre falhas, erros cometidos e episódios reversíveis. Para começar, “falhou redondamente a nutricionista, que permitiu que a Inês fosse perdendo peso e nunca questionou esse facto”, criticou Conceição Viana que, de igual modo, não hesite em tecer profundos elogios à psiquiatra que “teve uma acção mais eficaz”, promovendo, aliás, reuniões mensais no Hospital de São João, no Porto, que junta familiares e amigos dos doentes. “Nunca fui a nenhuma mas creio que podem ser úteis”, asseverou.

Como mulher mas sobretudo como mãe, Conceição Viana tem consciência de que a anorexia é uma doença complexa e difícil uma vez que “o único sinal físico visível é o emagrecimento”. Apesar de todas as pedras encontradas pelo caminho, Conceição sabe que “ganhou” pelo facto de Inês ter uma personalidade extrovertida e comunicadora e, como tal, nunca escondeu nem teve medo de pedir ajuda. Mas as pessoas não são todas iguais e para aqueles que lutam contra a vergonha, esta mãe deixa o seu próprio conselho: “ esta doença mata, arrasa o próprio e degrada o ambiente familiar. Peçam ajuda e não desistam de vocês porque nós também não desistimos. Gostem de vocês e, como em tudo na vida, tentem o equilíbrio”, concluiu.