A prática de exercícios aeróbicos e de força não abrandou a deterioração cognitiva em casos de demência, concluiu um estudo publicado no British Medical Journal (BMJ), cujo resumo foi agora apresentado no Journal of the American Medical Association (JAMA). Na pesquisa, 494 pacientes diagnosticados com demência leve a moderada participaram num teste aleatório com grupo de controlo. O grupo de controlo recebeu os cuidados padrão e o grupo exercício realizou atividade aeróbicas e musculação durante quatro meses, com sessões de 60 a 90 minutos, duas vezes por semana.

Para a avaliação, foi utilizado o índice ADAS-cog (Alzheimer Disease Assessment Scale - cognitive), aplicado a todos os pacientes antes do início do teste, após 6 meses e após 12 meses.

Em termos absolutos, o índice cognitivo do grupo exercício foi maior do que o do grupo controlo, o que poderia indicar que, na verdade, a prática de exercícios pioraria o quadro de demência. Mas a diferença não é estatisticamente significativa para justificar tal afirmação.

"Um programa de exercícios aeróbicos e musculares de intensidade moderada a alta não retarda a perda cognitiva em pessoas com demência leve a moderada. Embora o programa de exercícios tenha melhorado a condição física, não houve melhoras percetíveis noutros aspetos clínicos", concluíram os investigadores.

Demografia da demência

A demência é um termo utilizado para abranger diversas doenças que causam a perda progressiva das funções cognitivas como perda da memória, da capacidade intelectual, competências sociais e provocam alterações emocionais, de acordo com a definição da Associação Alzheimer Portugal. O relatório "Health at a Glance", publicado em 2017 pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), mostra que Portugal é o quarto país com maior incidência de demência, ficando atrás apenas do Japão, Itália e Alemanha.

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Estima-se que existam cerca de 200 mil casos de demência em Portugal e projeta-se que, se esta tendência continuar, em 2037 serão mais de 300 mil casos. O maior fator de risco é, de facto, a idade.

Tratamento integrativo em casos de demência

Ultimamente, tem-se procurado cada vez mais integrar diferentes racionalidades médicas em busca da promoção do melhor atendimento possível ao paciente. É por isso que a busca de práticas como exercícios e meditação, ou terapias como a EHT e o reiki, está a tornar-se mais comum no contexto de uma medicina cada vez mais centrada no paciente. No entanto, é necessário que tais práticas sejam sustentadas por evidências, para que o paciente obtenha o melhor benefício possível.

Neste estudo mostrou-se que, apesar da crença que a prática de exercício ajuda a retardar a evolução da demência, uma vez que ela está instalada não há indício de que os exercícios promovam uma melhoria do aspeto cognitivo. Isto não significa que o exercício deva ser evitado, pois os seus benefícios em termos de qualidade de vida e promoção da saúde são conhecidos e comprovados.

A proposta da medicina baseada em evidências é justamente tomar por base a experiência clínica do médico, as preferências individuais do paciente e evidências como as deste estudo, para compor um tratamento que seja o mais adequado às necessidades de cada pessoa.