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A Classificação Internacional dos Distúrbios de Sono (ICSD) define o bruxismo como sendo a existência de movimentos repetitivos e periódicos, consequentes da contracção rítmica dos músculos masseteres durante o sono, pertencendo ao grupo de distúrbios de movimento e sendo frequentemente associado à estimulação do sono.

O termo bruxismo, adotado em medicina dentária, deriva do grego bryché (“ranger de dentes”) e mania. É o termo clínico para ranger, cerrar ou apertar os dentes através de atrito, fricção ou aperto das peças dentárias fora das funções normais de mastigação ou deglutição.

Ranger os dentes à noite ou apertá-los durante o dia está fortemente associado ao stress, dando forma a um problema progressivo que pode gerar forças oclusais muito intensas, até seis vezes maiores que a força mastigatória no ato voluntário, resultando numa carga extra para a dentição, ligamento periodontal, osso alveolar e articulação temporomandibular.

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O bruxismo como hábito parafuncional

Este hábito parafuncional cursa com contracções musculares rítmicas com uma força maior que o normal, é como um contacto habitual, não funcional e forte entre as superfícies oclusais das peças dentárias. Apresenta etiologia multifatorial e tem sido relatado como incluindo factores como stress emocional, parassonias, lesões traumáticas e deficiências neurológicas, e factores morfológicos, tais como a má oclusão e o aumento da utilização de fibras musculares, que favorece a hipertrofia da musculatura facial. As complicações relatadas incluem desgaste dentário, dor de cabeça, disfunção temporomandibular (DTM) e dor nos músculos mastigatórios. Nos últimos anos, o bruxismo tornou-se uma preocupação cada vez maior devido aos seus efeitos negativos sobre a qualidade de vida, podendo ser considerado um factor de risco importante para as DTM.

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O bruxismo nas crianças

Em crianças com idade inferior a 6 anos, o bruxismo pode ser uma consequência da imaturidade do sistema neuromuscular estomatognático. Nelas pode desenvolver-se o hábito do bruxismo devido a factores emocionais. A necessidade imperativa das crianças terem de lidar com a sobrecarga de tarefas, a perda, a expectativa, os conflitos, a auto-imagem, a auto-estima e a ansiedade são alguns dos factores a ter em conta.

A instabilidade da oclusão durante a substituição dos dentes decíduos pelos permanentes é outro facto a levar em atenção que poderá estar diretamente relacionado com o bruxismo em crianças. O bruxismo nocturno é mais comum na infância e pode apresentar-se directamente associado com parassonias (fenómenos que ocorrem exclusivamente durante o sono caracterizando-se por diferentes graus de excitação, como enurese noturna, falas durante o sono e sono agitado).

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No entanto este pode ocorrer quer no período diurno quer no nocturno, de forma consciente, mordendo lápis ou dedos, ou inconscientemente realizando apertamento das peças dentárias ou através do acto de ranger.

O sono e o bruxismo

O sono pode ser caracterizado por dois padrões fundamentais de sono: sem movimentos oculares rápidos (NREM) e com movimentos oculares rápidos (REM). O bruxismo ocorre principalmente na transição entre os estádios de sono. Existe uma grande variabilidade na intensidade e duração do bruxismo, mas tipicamente centenas de eventos podem ocorrer durante a noite. Estes eventos não são normalmente associados com um despertar, mas podem-se produzir breves despertares de sono.

Mecanismos biológicos de crescimento ósseo da cara

Existem vários mecanismos biológicos, como são por exemplo a odontogénese e a osteogénese que se desencadeiam ao longo das duas primeiras décadas de vida e mais especificamente o crescimento orofacial. Um dos mecanismos funcionais mais observados na primeira década de vida é o bruxismo.

Este é condicionado pelo movimento mandibular, ou seja, pelos movimentos fisiológicos que estimulam o crescimento ósseo mandibular. O padrão de crescimento da face requer que a maxila cresça para fora do crânio, o que implica que esta deva passar por um desenvolvimento considerável essencialmente através de duas formas: por um impulso posterior criado pelo aumento da base do crânio e pelo crescimento nas suturas.

O alongamento da base do crânio empurra a maxila para anterior devido à sua posição anatómica até aproximadamente aos 6 anos de idade. Aos 7 anos este crescimento termina.

Por outro lado, a mandíbula apresenta um crescimento na face posterior do ramo, nos côndilos e processos coronóides, sendo o mento quase um local inactivo. O desenvolvimento da face ocorre como resposta a necessidades funcionais. A erupção dos dentes realiza-se num sentido paralelo ao crescimento do ramo da mandíbula o que permite que após o dente se encontrar em oclusão esta seja controlada por forças que a opõem e que não a facilitam. No entanto, forças muito intensas podem efectivamente afectá-la de forma importante.

Bruxismo e medicina dentária

Na medicina dentária é comum observar-se desgaste excessivo nas faces oclusais e incisais das peças dentárias. A terapêutica para esta condição consiste num trabalho multidisciplinar que abrange a medicina dentária, a psicologia e a fisioterapia. A medicina dentária normalmente actua em procedimentos restauradores, tratamentos ortodônticos e na confecção de placas de relaxamento. Nalgumas situações, pode existir necessidade de utilização de fármacos, além de aconselhamento psicológico.

Assim, é de extrema importância a detecção precoce do bruxismo por parte dos odontopediatras e pediatras.