Todos os dias há manifestações de vários quadrantes da sociedade contra as políticas de austeridade do governo. Mesmo os militantes dos partidos da coligação levantam a voz por achar que o governo está a levar o país ao abismo. Ao ler num jornal diário uma dessas manifestações, Margarida Rebelo esqueceu o romantismo dos livros e não poupou nas palavras duras aos portugueses.

"Sinto-me profundamente triste, enquanto cidadã portuguesa, ao ver este tipo de manifestações que demonstram falta de civismo das pessoas que vão interromper os trabalhos na Assembleia da República".

A afirmação foi feita na RTP Informação durante um comentário sobre a actualidade do país. "É bom que as pessoas não tenham memória curta e que saibam que não é este governo o responsável pela ultra precária situação económica que Portugal vive".

A escritora lembrou que houve vários governos antes deste com medidas "suicidas que, a longo prazo, nos puseram nesta situação". Margarida Rebelo Pinto foi mais longe nas considerações e diz que quem participa em manifestações contra a austeridade revela "falta de inteligência". Mas, para quem se mostrou surpreendido com as declarações, a escritora disse não ser a primeira vez que expressa "repulsa e pena" pelo facto de existirem essas situações.

Portugal tem muitos treinadores de bancada

Margarida Rebelo Pinto esclareceu que não escapou aos cortes e à austeridade, no entanto, "se todos ganham menos, todos têm que aprender a ganhar menos". Enquanto falava sem ser interrompida, a escritora recuou no tempo e afirmou que os portugueses "achavam que eram ricos". "Não é com esta atitude treinadores de bancada, uma coisa muito típica dos portugueses, que as coisas se resolvem".

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Margarida Rebelo Pinto fez um apelo aos portugueses para que confiem e deixem trabalhar o governo, para ver "o que acontece". E deu um exemplo: "Toda a gente ficou chocada com as taxas moderadoras dos hospitais e eu acho muito bem porque usar os serviços sem pagar não pode ser". Assim que terminou o comentário as redes sociais encheram-se de insultos à escritora.