Dia da mulher e mais um ano em que se analisa a evolução dos tempos: as conquistas e as desigualdades. Um delas, sempre muito falada, prende-se com os salários. Segundo um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), as mulheres ainda são penalizadas no salário em cerca de 23% mas há outro dado interessante que este estudo revela: ser mãe implica ganhar menos. Nos últimos 20 anos a disparidade de salários das mulheres após a maternidade aumentou.

Quando falamos em maternidade não se analisa apenas o número de filhos mas sobretudo a idade da mulher. Porquê? Porque este estudo lança para a discussão um outro factor penalizador para a mãe trabalhadora: ter filhos antes dos 25 anos implica mais cortes no salário.

E o nosso país lidera o ranking: "A mais severa penalização associada com a maternidade jovem foi registada em Portugal, onde as jovens mães sofrem uma penalização não ajustada de 33% nos salários em comparação com mães aos 25-30 anos", salienta o estudo.

"A evidência de que as mães sofrem penalizações no salário, além da penalização por serem mulheres, é motivo de preocupação", diz o estudo que pretende alertar as sociedades para uma realidade que deve ser corrigida. No entanto, a OIT acredita que o pagamento de salários conforme o género não irá desaparecer nos próximos 70 anos. A organização diz que está em causa "a capacidade das sociedades gerirem um equilíbrio sustentável entre os objetivos económicos de participação feminina no trabalho remunerado e os objetivos de providenciar uma justa distribuição do rendimento que suporte o nascimento e o sustento de crianças".

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Nas últimas estatísticas reveladas em 2005, Portugal não ficou mal na fotografia pois os salários das mulheres com dois filhos eram cerca de 10% inferiores aos das mulheres sem filhos. Numa análise que envolveu 11 países, o pior classificado foi o Reino Unido, onde a penalização pode chegar aos 25%. Em sentido contrário estavam a França, Dinamarca e Itália, onde as mães com dois filhos até podiam ganhar mais do que as trabalhadoras que ainda não tinham filhos.