Manoel de Oliveira está bem e recomenda-se. O cineasta mais velho do mundo concluiu um novo filme, intitulado "O Velho do Restelo". A notícia teve uma coberturta discreta na imprensa portuguesa, sendo a fonte uma entrevista de Oliveira à revista norte-americana "Variety". O lançamento do filme está previsto para o próximo dia 11 de Dezembro, data em que Manoel de Oliveira comemora 106 anos.

"O Velho do Restelo" é um filme baseado no diálogo entre quatro personagens: Camões, D.

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Quixote, Camilo Castelo-Branco e Teixeira de Pascoaes, que interagem num mesmo banco de jardim no século XXI. O argumento, inspirado na obra "O Penitente" de Teixeira de Pascoaes, é de autoria do próprio Manoel de Oliveira. Numa entrevista dada por escrito à Variety, Oliveira explica que o seu filme é uma "reflexão sobre a Humanidade", na qual ele não deixa um sinal de "derrota, mas sim de aviso". O filme foi rodado num jardim próximo da sua casa, no Porto, e conta com os actores Ricardo Trêpa (seu neto) como D.

Manoel de Oliveira (foto Wikipedia)
Manoel de Oliveira (foto Wikipedia)

Quixote, Diogo Dória como Teixeira de Pascoaes, Mário Barroso como Camilo Castelo Branco e Luis Miguel Cintra como Camões.

Manoel de Oliveira continua a surpreender pelo seu dinamismo e pela sua inacreditável longevidade activa. O próprio já afirmou que o facto de ter filmes para fazer é essencial para continuar a querer estar vivo, e que tem muitos filmes para fazer. E embora já não consiga dançar como o fazia aos 99 anos (existem vídeos no Youtube que o provam), Oliveira conseguiu recuperar de alguns problemas de saúde de forma a continuar a trabalhar.

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Manoel de Oliveira nasceu em 1908, no Porto, numa família da alta burguesia. O seu primeiro filme é de há 73 anos, chamado "Douro, Faina Fluvial." Nos anos 30, envolveu-se no Cinema também como actor, tendo contracenado com Vasco Santana (falecido em 1958) n' A Canção de Lisboa (fez o papel do maior amigo do 'Vasquinho'.) Mas só nos anos 60 se dedicou mais a sério à realização, e com total liberdade depois de 1974. Os filmes de Oliveira, geralmente fora do circuito comercial, convidam o espectador à reflexão sobre variados temas, entre a história e o surrealismo - mas com a experiência humana como tema último e genérico.

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