"Eu gostaria de passar uma semana com Putin para o entender melhor", confessou Conchita Wurst, vencedora do Festival Eurovisão da Canção (ESC) de 2014, durante uma entrevista ao jornal austríaco Kurier, quando questionada sobre uma possível visita à Rússia, país com uma forte legislação anti-homossexual.

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Para além de ter manifestado esta vontade em visitar o presidente russo, a "mulher barbuda" falou ainda da pressão a que o presidente do maior país do mundo está sujeito. "No final do dia, Putin só quer ser respeitado!", afirmou Conchita. "Este desejo de ser respeitado une Putin às minorias", acrescentou.

Recorde-se que a Rússia, país onde os homossexuais são bastante discriminados, implementou, em 2013, leis que criminalizam "o estilo de vida gay".

Conchita Wurst venceu a Eurovisão em 2014
Conchita Wurst venceu a Eurovisão em 2014

Segundo as autoridades russas, neste estilo de vida estão também incluídas as demonstrações públicas de afecto entre pessoas do mesmo sexo. A vencedora do Festival Eurovisão da Canção deste ano, em representação da Áustria, colocou em causa a aceitação das mesmas por parte dos compatriotas de Vladimir Putin. "Tenho muitos fãs na Rússia. Isto é incrivelmente bonito porque mostra que muitos russos não concordam com as decisões do governo", apontou Conchita Wurst, alter ego de Thomas Neuwirth, referindo-se à legislação que proíbe a propaganda homossexual.

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Entretanto, o secretário de imprensa do presidente russo, Dmitry Peskov, riu-se das afirmações de Conchita e afirmou que será "muito improvável" que tal encontro se venha a realizar.

Em maio deste ano, após a sua vitória na Eurovisão, para a qual a Rússia contribuiu com 5 pontos, gerou-se uma onda de contestação no país. "Isto é o fim de uma Europa que ficou completamente louca. Eles têm mais mulheres e homens lá em baixo mas preferiram apresentar um travesti de barba", afirmou Vladimir Jirinovski, presidente do Partido Liberal russo, acerca do resultado alcançado pela intérprete da canção "Rise Like a Phoenix".

Por outro lado, a Igreja Ortodoxa russa classificou Conchita Wurst como uma "abominação". Toda esta polémica em torno da vencedora da maior competição musical da Europa levou a que a sua presença num programa no canal russo Muz-TV, já agendada antes da conquista do 1.º lugar na Eurovisão, fosse cancelada no final do passado mês de maio, tendo havido também esforços por parte de alguns políticos para impedir a sua entrada no país.

Após a vitória no ESC, Conchita Wurst tornou-se um símbolo da luta contra a discriminação sexual, tendo já participado em conferências organizadas pelo Parlamento Europeu e pela ONU.

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Depois de 48 anos sem nenhuma vitória no ESC, Conchita Wurst levou o Festival de volta a Viena. Para além disso, o seu nome, que foi inclusive um dos mais pesquisados mundialmente em 2014, foi confirmado há poucos dias no quarteto de apresentadoras da próxima edição da competição de música europeia (realiza-se nos dias 19, 21 e 23 de maio de 2015), que contará também com as presenças de Mirjam Weichselbraun, Alice Tumler e Arabella Kiesbauer.

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