O acidente aconteceu na madrugada de 25 de Junho de 2011, em Estarreja, quando o cantor e ator seguia ao volante de um carro, alegadamente emprestado por um stand de um amigo. Angélico Vieira, conhecido pela participação na série juvenil Morangos com Açúcar e por ser vocalista na banda D´ZRT, acabou por falecer dias depois no Hospital de S. António, no Porto, tal como um amigo (Hélio Filipe) que seguia no banco de trás e foi cuspido do automóvel após o rebentamento de um dos pneus.

Os pais de Hélio Filipe querem ser indemnizados pela morte do filho e exigem à mãe de Angélico Vieira 236 mil euros por considerarem que o cantor foi o responsável pelo acidente.

O processo cível, que começou esta sexta-feira, dia 6, em Aveiro, tem como arguidos, para além da mãe de Angélico, o Fundo de Garantia Automóvel (FGA) e o stand Impocar, de onde saiu a viatura. Ouvida pelo juiz, a mãe de Angélico Vieira garantiu que o carro onde seguiam os jovens "não estava em condições de circular. Se [o acidente] não acontecesse com o meu filho, posteriormente teria acontecido com mais alguém", referiu Filomena Angélico.

No que concerne à propriedade da viatura envolvida no acidente, o stand Impocar alega que Angélico adquiriu a viatura, a mãe do jovem tem uma versão contrária: "O BMW foi meramente emprestado". Filomena garante ter falado na noite do acidente com o filho, que lhe terá contado que ia trocar de viatura, porque queria um carro "mais arejado", para ir ao lançamento de uma música na praia.

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Por enquanto, a razão parece estar do lado da mãe do cantor, já que a especialista do Laboratório Cientifico da Polícia Judiciária, que analisou a assinatura do contrato de compra e venda do automóvel, concluiu que a assinatura de Angélico foi falsificada, através de uma "tentativa de imitação".

A mãe de Angélico revelou que o stand em questão tinha um acordo de permuta com o ator, que circulava com os carros sem pagar em troca de publicidade. O dono do stand Impocar também devia ter sido ouvido pelo Tribunal mas o advogado do FGA, que requereu o depoimento, prescindiu de ouvir o empresário.

Um dos sobreviventes do acidente, Hugo Pinto, afirmou em tribunal que Angélico "não circulava em excesso de velocidade" e que iam "tranquilos, a conversar, quando sentiram um estrondo na parte de trás do carro". As conclusões da investigação demostram que a viatura circulava entre os 206 e os 237 Km e que os quatro ocupantes usavam cinto de segurança. Filomena Angélico volta a sentar-se no barra do tribunal de Aveiro na próxima semana, para a continuação do julgamento.