Com a amabilidade que lhe é reconhecida, João Carlos Cunha respondeu às nossas perguntas e, tirando o facto de ter dito que duas das dez perguntas eram uma treta, correu muito bem. Falou-se de tudo um pouco e, como não podia deixar de ser, do seu grande amigo, José Sócrates.

1. Vamos lá esclarecer isto antes de nos alongarmos na entrevista: estás envolvido na separação do Cristiano Ronaldo e da Irina Shayk? Eles acabaram no momento de uma das tuas digressões internacionais?

R: Deixa-te de piadinhas. Se é para isto, não respondo a mais pergunta nenhuma.

2. Achas que este país está preparado para uma pessoa com a tua dimensão ou é demasiado pequeno para a tua grandeza?

R: O país vai-se preparando e é inequívoco que, ao longo dos anos, houve um grande esforço, nomeadamente do poder político, para dotar o país de estruturas e infra-estruturas que ajudassem a mudar o paradigma de acesso do povo ao seu ídolo.

O melhor exemplo e, que até merece o meu reconhecimento, foi tudo o que o Professor Aníbal Cavaco Silva fez aquando da sua saudosa passagem pela cadeira de primeiro-ministro de Portugal. Os quilómetros de auto-estradas que mandou construir permitiram que muitos fãs chegassem aos meus concertos sem terem que fazer 13 ou 14 horas de viagem e chegarem todos suados. Outro dos melhores exemplos de como o Professor Aníbal ajudou o povo a estar mais perto do seu ídolo: acabou com grande parte da frota pesqueira. Porquê?! Sei eu que teve como objetivo principal fazer com que os pescadores e as suas famílias pudessem assistir aos meus espetáculos ao invés de irem para o mar a noite toda, sujeitos a enjoos ou a picarem-se com um anzol.

Se Portugal está preparado para mim? Ainda não, mas acredito que nos próximos anos vai estar.

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Sou português. Sou empreendedor e tenho horizontes que esbarram nos limites da Terra.

3. Um mestre do humor como tu tem que ter um aprendiz. Quem é o felizardo/a?

R: Tenho algumas reservas éticas no que diz respeito a seres humanos geneticamente modificados e à imagem de um modelo. Mesmo quando esse modelo seja consensualmente reconhecido como Perfectus Sapiens, por exemplo.

4. És regularmente assediado na rua? Se sim, incomoda-te?

R: Sou bastante assediado, mas, entre as 9h e as 20h, raramente saio sem ser com uns óculos e um boné. Isto tem sido para mim uma forma de poder continuar a viver a minha vida sem ter as pessoas a abordar-me, a pedirem-me coisas só porque sabem que sou melhor que elas. Tento mudar de óculos dia sim, dia não e os bonés uso quase sempre o mesmo na sequência do meu elevado perímetro craniano e da consequente dificuldade em arranjar bonés que me favoreçam.

Posso partilhar um pequena história que me aconteceu há pouco tempo quando estava numa esplanada.

Um menino, que não tinha mais que 7 anos, veio ter comigo e, com uma ar de quem me estava a entregar um sono, pediu-me: "Ó Humorista, ensina-me a fazer piadas como tu. O meu sonho é ser como tu!". Sorri para o garoto, afaguei-lhe o cabelo ruivo, percorri com os olhos a distância entre ele e a mesa de onde se tinha levantado e onde estava o seu pai. Voltei a afagar-lhe o cabelo, olhei-o nos olhos, coloquei a voz e disse-lhe: "E se fosses pó c******?! Hã?! Diz lá ao teu paizinho que, se quer aprender piadas para impressionar as amigas da tua mãe e as colegas no emprego, que vá comprar o filho da p*** do livro do Sala, que vá pó c******!" E o menino foi.

Aquilo que para muitos pode parecer despropositado e um uso excessivo de impetuosidade, para aquele menino significou o momento em que ele descobriu que o pai era um otário de primeira. Consequência disso? Aquele puto vai querer vencer na vida para poder sair de casa o mais rapidamente possível.