O passado do autor do golo que deu a vitória à selecção portuguesa no Europeu de França está a emocionar o país. A vida de Éder Lopes tem sido revelada nas sucessivas entrevistas que o jogador tem concedido, após a competição. Neste sábado, 16 de Julho, protagonizou mais um momento emotivo no programa “Alta Definição” transmitido ao início da tarde pela SIC. Um testemunho emotivo, sobretudo quando o futebolista recordou a sua infância, a sua vivência com a mãe e com o pai, que desde os seus 12 anos, está preso na Inglaterra.

Na conversa que teve com o jornalista Daniel Oliveira, não escondeu o seu passado. Éder deixou a Guiné-Bissau aos 3 anos para vir com a mãe para Portugal, onde já estava a viver o pai.

No entanto, entrou numa disputa entre o casal e acabou por ficar a viver com o pai, a madrasta e a irmã mais nova. Sem saber muito bem como, acabaria por ser entregue, aos 5 anos, a instituições. Primeiro em Braga e depois em Coimbra. Uma situação que nunca percebeu e que o deixou muito triste. E, como se vive com saudades com a família? “Esquecia-se as saudades”, respondeu, acrescentando que como havia outras crianças com vidas semelhantes, ou piores, à sua, o convívio com elas era uma forma de apoio mútuo.

Hoje, aos 28 anos, o jogador diz que mantém contactos com o pai e com a mãe. Éder tinha 12 anos quando o pai viajou para a Inglaterra, onde está preso desde então. Só a partir dessa altura é que estabeleceu uma maior proximidade com a mãe. “Falo com eles algumas vezes. Não falo todos os dias, nem todas as semanas, mas falo com eles”, revela.

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No "Alta Definição", depois de uma pausa, Éder respondeu a Daniel Oliveira que tinha na memória alguns momentos felizes vividos com os pais. Mas, adianta: “Podiam ter sido mais, muitos mais”.

O agora campeão europeu considera que o pai deve-se ter emocionado ao saber que o filho deu a vitória a Portugal no passado dia 10 de Julho em França. “Deve ter sentido uma alegria enorme”, frisa. Questionado se o pai devia-lhe pedir desculpas pela sua ausência na vida do jogador, Éder afirma: “Acredito que sim”, rematando de seguida: “ele devia ter lutado por mim e ficado comigo”.

Éder referiu-se, ainda, à fase menos boa que viveu enquanto jogador de Futebol, que o levou a ser considerado um “patinho feio”. Confessa que passou muitas noites sem dormir e até pensou em desistir do futebol e… “talvez da minha vida”. Até porque “não se sabe exactamente o que fazer. Achava que estava a atrapalhar”, revelou. Hoje, afirma que não precisa de nenhum pedido de desculpas, já que diz acreditar muito em si e nas suas capacidades. Tal como já tinha feito em outras entrevistas, Éder voltou a falar na Susana Torres, a mentora desportiva de alta performance que o tem auxiliado nos últimos tempos, e a quem o jogador lhe dedicou o golo da vitória no Euro2016.